Justiça mandou prender Duque por ‘esquema criminoso’ na diretoria da Petrobrás

Justiça mandou prender Duque por ‘esquema criminoso’ na diretoria da Petrobrás

Operação Lava Jato revela que diretoria sob comando de Duque 'lavou de 2% a 3%' dos contratos

Redação

14 Novembro 2014 | 13h32

Fausto Macedo e Ricardo Brandt

O ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque, e o empresário Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas e corrupção na estatal petrolífera, tiveram prisão decretada pela Justiça Federal porque a suspeita que pesa contra eles “encontra confirmação na prova documental, especialmente na prova das transferências (de valores) sem causa efetuadas em favor de contas controladas por Alberto Youssef (doleiro da Lava Jato) por parte das diversas empreiteiras”.

A prisão temporária de Duque e de Fernando Baiano foi requerida pelo Ministério Público Federal. Os procuradores da República argumentaram: “O ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás e o doleiro Alberto Youssef declararam que o esquema criminoso que desviou e lavou 2% ou 3% de todo contrato da área da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás também existia em outras Diretorias, especialmente na Diretoria de Serviços, ocupada por Renato Duque, e na Diretoria Internacional, ocupada por Nestor Cerveró. Nestes desvios, atuavam outros operadores que não Alberto Youssef. Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, estava encarregado da lavagem e distribuição de recursos para agentes públicos relacionados ao PMDB. Na própria Diretoria de Abastecimento, 1% era lavado e distribuído por Alberto Youssef, enquanto o remanescente era lavado e distribuído por outros operadores, como Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano.”

Renato Duque é levado à sede da PF no Rio - Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

Renato Duque é levado à sede da PF no Rio – Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo

O Ministério Público Federal observou, ainda, que dois empresários ligados à Toyo Setal Empreendimentos – Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo -, “confirmaram esses fatos e detalhes a respeito do pagamento de valores por contratos da Petrobrás a Renato Duque e a Fernando Soares”.

A Justiça considera que “embora o depoimento de criminosos colaboradores deva ser visto com reservas, cumpre destacar que o esquema criminoso, em linhas gerais, encontra confirmação na prova documental”.

“Além disso, como já apontado, foram apreendidos, nas buscas, papéis que apontam para o pagamento de valores expressivos para Fernando Baiano”, assinala a Justiça ao mandar prender o operador do PMDB e o ex-diretor de Serviços da Petrobrás.

A Justiça ainda ordenou o bloqueio dos ativos das empresas de Fernando Soares e de Renato Duque. As pessoas jurídicas controladas por Fernando Baiano “foram explicitamente citadas como tendo recebido valores indevidos e que a investigação revelou modus operandi consistente na utilização de empresas de consultoria para recebimento de propina”.

A Justiça cita Technis Planejamento e Gestão em Negócio, Hawk Eyes Administração e D3TM Consultoria e Participações Ltda.

“Merece referência ainda o fato de que, nos papéis apreendidos nas buscas e apreensões, foram encontradas planilhas com menções de valores devidos ou pagos a Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano (FB)”, assinala a Justiça Federal.

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