Justiça manda soltar filho de operador de propina na Petrobrás

Lucélio Goes, filho de Mário Góes, foi detido na 10ª etapa da Lava Jato e mesmo solto não poderá deixar o País sem autorização da Justiça

Redação

20 de março de 2015 | 16h46

Por Mateus Coutinho e Fausto Macedo

A Justiça Federal no Paraná revogou nesta sexta-feira, 20, a prisão de três detidos na 10ª fase da operação Lava Jato, deflagrada na segunda-feira, 16. Dentre os que ganharam direito à liberdade está o filho de Mario Góes, apontado como operador de propinas na diretoria de Serviços da Petrobrás, Lucélio Góes.

Além dele, também foram soltos os investigados Dario Teixeira Alves Junior e Sonia Mariza Branco, apontados como laranjas do esquema de desvios na estatal. De acordo com informações da PF, os alvos desta etapa são investigados por seis crimes: associação criminosa, uso de documento falso, corrupção passiva e corrupção ativa, além de fraude em processo licitatório e lavagem de dinheiro.

Mesmo soltos, os três investigados são obrigados a cumprir várias determinações da Justiça, como: comparecer a todos os atos do processo, inclusive da investigação, quando for solicitado; não deixar a residência por mais de 30 dias sem prévia autorização do Juíz; não mudar de endereço sem avisar a Justiça e a proibição de deixar o país sem autorização judicial.

Mário Góes – como é conhecido – foi um dos principais alvos da nona fase da Lava Jato (Operação My Way). Ele está preso desde o dia 8 de fevereiro na Custódia da Superintendência da PF, em Curitiba. Ele ainda foi indiciado pela Polícia Federal por corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro e nega irregularidades, em sua defesa.

Sua empresa Riomarine recebeu pelo menos R$ 39,7 milhões, entre 2008 e 2014, por supostos serviços de consultoria prestados às empreiteiras investigadas na Lava Jato. “Foram apreendidos apenas, e em grande número, documentos que simplesmente atestam intenso fluxo financeiro entre os ‘clientes’ e a Riomarine, entre ela e seus sócios e outras pessoas jurídicas, a exemplo de cheques, notas fiscais, transferências bancárias, etc.”

Sem qualquer funcionário no período em que emitiu a maior parte das notas (2009 e 2010) nem “relatórios de consultoria ou assessoria que denotassem o efetivo cumprimento” dos contratos milionários, as suspeitas dos investigadores da Lava Jato são que a Riomarine fosse uma fachada usada para “esquentar” o dinheiro da propina.

Duque. Na décima etapa, deflagrada no último dia 16, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, quando não há prazo para o investigado ser solto, incluindo o do ex-diretor de Serviços da estatal Renato Duque, acusado de operar o recebimento de propinas para o PT no esquema. Batizada de “Que país é esse”, a décima fase ainda cumpriu quatro mandados de prisão temporária, que duram cinco dias, e 12 de busca e apreensão. O nome da etapa faz referência a uma frase dita por Duque ao ser preso pela primeira vez, em novembro do passado.

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