Justiça manda prender cinco vereadores de Carapicuíba

Justiça manda prender cinco vereadores de Carapicuíba

Decisão da juíza Danielle Grandinetti, da 2.ª Vara Criminal do município da Grande São Paulo, acolhe pedido do Ministério Público Estadual que atribui aos parlamentares e a outros três acusados envolvimento em fraudes na contratação de quinhentos servidores sem concurso

Fausto Macedo e Julia Affonso

24 Agosto 2016 | 03h00

Foto: Facebook/Prefeitura de Carapicuíba

Foto: Facebook/Prefeitura de Carapicuíba

A Justiça decretou a prisão preventiva de cinco vereadores de Carapicuíba, município da Grande São Paulo, por esquema de fraudes na contratação de pessoal sem concurso – pelo menos quinhentos servidores foram beneficiados. Outros três acusados também tiveram a prisão determinada.

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As prisões foram realizadas nesta terça-feira, 23. A Polícia invadiu a Câmara municipal e capturou quatro vereadores. Um deles, Paulo Xavier (PSDB), já está preso desde maio, por outro processo criminal.

Os vereadores são Jefferson Macêdo (PRP), Elias Cassundé (PMDB), Carlos Japonês (PR) e Nenê Crepaldi (PMDB), além de Xavier. Eles indicavam ‘apadrinhados’ para contratação pela Prefeitura burlando o concurso público obrigatório.

A secretária-adjunta de Obras de Carapicuíba, Elaine Cristina Pereira, e Everaldo Francisco da Silva, candidato a vice-prefeito nas próximas eleições de Carapicuíba, também estão entre os que tiveram prisão decretada. Ela foi presa. Ele está foragido.

Também está foragido o ex-deputado estadual e atual secretário de Gestão de Carapicuíba, Isac Franco Reis (PT).

A decisão da juíza Danielle Grandinetti acolhe denúncia das promotoras de Justiça Camila Moura e Silva e Sandra Reimberg, do Ministério Público do Estado.

Após uma intensa e minuciosa investigação, as promotoras atribuem aos vereadores e aos outros denunciados formação de organização criminosa para a prática de 63 crimes de prevaricação e mais de cinco mil crimes de falsificação na contratação ilegal de bolsitas homens e mulheres para a saúde e outras áreas da administração municipal.

A juíza Danielle Grandinetti destacou que os beneficiários das contratações ilegais ‘se revoltaram contra o Ministério Público, o que revela o grave abalo à tranquilidade social’.

“Os membros da organização criminosa, de maneira repartida, praticaram tantas falsidades quantos foram os convocados”, assinalam as promotoras de Justiça Camila Moura e Silva e Sandra Reimberg. “Participaram de verdadeiro esquema que permitiu o ingresso de apadrinhados políticos na administração pública municipal, mediante falsificação de suas inscrições, provas e lançamentos de notas/pontuação.”

Os vereadores exigiam votos, em troca da contratação. “Instituíram, assim, verdadeiro projeto criminoso de poder, buscando perpetuarem-se na administração pública municipal, mediante o controle de máquina estatal sem a necessidade de utilizar a força”, sustentam as promotoras.

Ao decretar a prisão do grupo, a juíza chamou a atenção para a conduta de dois vereadores, Paulo Xavier e Jefferson Macêdo. “São detentores de maus antecedentes, já possuindo contra si processos criminais em curso, por delitos contra a administração pública também envolvendo contratações ilegais.”

A reportagem tentou contato na noite desta terça-feira com a Câmara de Carapicuíba, mas ninguém atendeu. O espaço está aberto para a manifestação dos vereadores presos e também dos outros acusados pela Promotoria.

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