Justiça manda PF abrir inquérito para investigar suposta calúnia de Russomanno contra Boulos

Justiça manda PF abrir inquérito para investigar suposta calúnia de Russomanno contra Boulos

Juiz Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, acolheu pedido do Ministério Público Eleitoral e encaminhou caso à Polícia Federal; em nota, defesa de Russomanno diz que fará representação semelhante contra Boulos

Paulo Roberto Netto

11 de novembro de 2020 | 22h14

A Justiça Eleitoral de São Paulo atendeu pedido do Ministério Público Eleitoral e determinou a abertura de inquérito na Polícia Federal contra o deputado Celso Russomanno (Republicanos), candidato à Prefeitura de São Paulo. O caso envolve acusações feitas pelo parlamentar ao adversário nas eleições, Guilherme Boulos (PSOL), durante entrevista a um canal no Youtube.


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Em nota, a defesa de Russomanno informou que irá apresentar uma representação semelhante contra o psolista ‘porque ele que ofendeu Russomanno, e a prova disso são os inúmeros direitos de resposta que a Justiça Eleitoral concedeu contra ele’. “Trata-se, quando muito, de retorsão”, afirmou.

Nos autos, Boulos acusou Russomanno de difundir informações falsas. O deputado afirma em vídeo que o psolista estaria ‘usando dinheiro público’ para contratar uma ‘moça para falar’ de sua campanha, se referindo a uma caixa de supermercado que apareceu em seu programa de televisão em 2005. Russomanno também acusou Boulos de cobrar aluguel de moradores do edifício Wilson Paes de Almeida, que desabou em maio de 2018.

A Promotoria Eleitoral afirmou que, em tese, Russomanno poderia ter cometido ‘calúnia eleitoral’, mas que é preciso uma investigação para comprovar se houve delito. “Diante deste quadro em que há elementos informativos suficientes, precipuamente pelos elementos informativos acostados à notícia crime, é o caso de se instaurar o competente inquérito policial para apurar as condutas – em tese, típicas”, apontou o promotor Walfredo Cunha Campos.

Em decisão proferida na última segunda, 9, o juiz Emílio Migliano Neto, da 2ª Zona Eleitoral de São Paulo, acolhe a manifestação da Promotoria e manda os autos para a Polícia Federal realizar ‘diligências cabíveis’ em até 30 dias.

O candidato do Republicanos à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno Foto: Tiago Queiroz / Estadão

‘Sabidamente inverídica’. Mais cedo, o magistrado determinou, em outro processo, que fosse retirado do ar vídeo do blogueiro Oswaldo Eustáquio que acusa Boulos de usar empresas de vídeo para ‘lavar dinheiro’. Celso Russomanno citou a acusação para atacar o psolista no debate realizado nesta quarta, 11, pela Folha/UOL.

Para Migliano Neto, a publicação é ‘sabidamente inverídica’ e o caso revela ‘sem sombra de dúvidas’ que houve um ‘estratagema altamente reprovável’ no uso do vídeo pelo candidato durante o debate.

“O cenário delineado pela matéria produzida pelo representado não encontra lastro nem sequer em indícios, como demonstrado de forma contundente na sua inicial pelo ora representante, sendo refutado pontualmente, permitindo-se, sem temor, de ser adjetivado de sabidamente inverídico, extravasando o debate político-eleitoral”, afirmou.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE CELSO RUSSOMANNO
Vamos fazer uma representação igual também contra o Boulos, porque ele que ofendeu Russomanno, e a prova disso são os inúmeros direitos de resposta que a Justiça Eleitoral concedeu contra ele. Trata-se, quando muito, de retorsão.

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