Justiça manda indenizar noivos por gafes da cerimonialista na festa de casamento

Justiça manda indenizar noivos por gafes da cerimonialista na festa de casamento

Segundo ação no 2.º Juizado Especial Cível de Florianópolis, oradora enumerou imperfeições do casal, esqueceu os nomes, tropeçou diversas vezes na língua portuguesa, deu lições de moral e, para arrematar, sugeriu que todos jogassem no bicho

Paulo Roberto Netto

07 de outubro de 2019 | 05h00

Foto: Shezita/Free Images

A Justiça de Florianópolis condenou uma empresa de eventos a indenizar um casal em R$ 3 mil por danos morais. Durante a festa de casamento, diante dos noivos e dos convidados, a cerimonialista enumerou imperfeições do casal, esqueceu o nome deles, tropeçou diversas vezes na língua portuguesa, deu lições de moral e, para arrematar, sugeriu que todos jogassem no bicho.

A profissional foi contratada para organizar e discursar na cerimônia, realizada em Florianópolis no dia 12 de setembro de 2015. Ao analisar o caso, o titular do 2.º Juizado Especial Cível determinou que a empresa – da qual a cerimonialista é funcionária – pague indenização ao casal por danos morais.

As informações foram divulgadas pelo jornalista Fernando Evangelista, da Assessoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina – (Autos n. 0311664-81.2016.8.24.0023).

Dias antes do matrimônio, os noivos preencheram um formulário detalhado com tudo o que gostariam que a profissional falasse durante o evento. No entanto, segundo os autos, ela ignorou a maior parte das informações, disse o que quis e como quis durante 35 minutos. O discurso foi gravado na íntegra.

Os noivos usaram o serviço ‘Reclame Aqui’ para narrar o que aconteceu. A empresa não gostou das reclamações e acionou a Justiça de São Paulo. A ação foi julgada improcedente, mas teria custado aos recém-casados R$ 5 mil em deslocamento. Diante do desgaste, o casal ingressou na Justiça com pedido de indenização por danos morais e materiais.

“Este juízo escutou os áudios”, escreveu o magistrado responsável pelo caso. “E a cerimonialista, em vez de dizer Carta aos Coríntios, disse ‘Carta aos Corinthians’, agradeceu ‘aos convidado’ e falou ‘as pessoas que gostam de bege são sensíveis e sonhadora'”, entre outras passagens.

Os erros de português da profissional e as lições de moral, pontuou o magistrado, não são capazes de gerar indenização. Porém, ele acrescentou, ao falar dos supostos defeitos dos noivos, a cerimonialista foi ‘inconveniente, inadequada e causou abalo anímico’.

“Neste ponto, a indenização se faz necessária”, e determinou que a empresa pague aos noivos R$ 3 mil pelos danos morais.

A responsável pelo cerimonial disse que ‘a noiva nunca está satisfeita’. “Ela troca de roupa cinco vezes antes de sair e no fim não gosta do vestido escolhido, para ela está sempre faltando alguma coisa.”

Ela teria dito ainda que ‘o noivo é bagunceiro e dorminhoco e usa cinco camisetas por dia, no fim da semana, são cinco cestos de roupa para lavar’. Ao perceber a repetição do número cinco, aconselhou: “Joguem no bicho, vai dar.”

No resto, concluiu o magistrado, o serviço foi realizado e não se justificaria a rescisão do contrato nem a restituição dos valores pagos. O magistrado afastou o pedido de restituição dos R$ 5 mil referentes às viagens a São Paulo, ‘porque elas não estão relacionadas ao presente caso, mas são originárias de uma ação distinta’.

Para o juiz, não há prova de que a ré, autora naquele processo, agiu de má-fé ou tenha se valido de expediente ardiloso.

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