Justiça manda indenizar mulher que ficou com gaze na barriga após cesariana

Justiça manda indenizar mulher que ficou com gaze na barriga após cesariana

Em depoimento, médico afirmou que ‘gaze, ao encharcar-se de sangue, pode ser facilmente confundida com o tecido humano’

Julia Affonso

06 de setembro de 2016 | 12h03

Foto: Tribunal de Justiça de Goiás

Foto: Tribunal de Justiça de Goiás

A Justiça de Goiás condenou o município de Mozarlândia a indenizar em R$ 20 mil, por danos morais, uma mulher vítima de erro médico. Segundo o processo, Núbia Soares dos Santos se submeteu a cirurgia cesariana no Posto de Saúde Municipal e, dias depois, precisou passar por nova operação para a retirada de uma gaze esquecida dentro do abdome durante o parto.

As informações foram divulgadas no site do Tribunal de Justiça de Goiás.

Documento

Mozarlândia tem quinze mil habitantes e fica a 300 quilômetros de Goiânia.

Em outubro de 2009, de acordo com os autos, Núbia se internou no posto de saúde em trabalho de parto. Após a cesárea, ela sentiu fortes dores, mas recebeu alta e foi informada de que aq causa do mal estar ‘poderia ser um cisto no ovário’.

Segundo o processo, as dores continuaram a incomodar Núbia, que procurou atendimento na cidade de Araguapaz, a cerca de 50 quilômetros de Mozarlândia. No local, ela passou por exame de ultrassom, que constatou ‘a presença de um corpo estranho em sua barriga’.

Durante a cirurgia descobriu-se que o ‘corpo estranho’ era um pedaço de pano.

Em depoimento, apontou a Justiça, o médico que fez a cesárea confessou ter deixado uma compressa dentro do abdome da vítima. Ele disse que ‘a gaze, ao encharcar-se de sangue, pode ser facilmente confundida com o tecido humano’.

A sentença que condena Mozarlândia a pagar indenização é do juiz Nickerson Pires Ferreira. O magistrado apontou para o sofrimento da mulher. Ela buscou ‘socorro hospitalar’, dias após dar à luz, quando sentiu ‘fortes dores causadas pelo objeto deixado em seu organismo’.

“Tanto a dor sofrida pela paciente, quanto os transtornos psicológicos de ter um corpo estranho dentro de si, combinado com o fato de ter que se submeter a exames e novo procedimento cirúrgico, são suficientes a ensejar indenização”, anotou o magistrado.

A reportagem ligou e mandou e-mail para a prefeitura de Mozarlândia. O médico não foi localizado. O espaço está aberto para sua manifestação e da prefeitura.

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