Justiça dos EUA bloqueia imóveis de banqueiros

Decisão contra os Índio da Costa, ex-controladores do Banco Cruzeiro do Sul, foi tomada a pedido do Ministério Público Federal em São Paulo

Fausto Macedo

07 de agosto de 2014 | 15h19

A Justiça dos EUA decretou o sequestro de dois apartamentos localizados em Nova York em nome de duas offshore dos banqueiros Luís Octávio Índio da Costa e Luís Felippe Índio da Costa, ex-controladores do Banco Cruzeiro do Sul (BCSul), alvos de investigação e processo no Brasil por suposta gestão fraudulenta.

A decisão da corte americana foi tomada a pedido do Ministério Público Federal em São Paulo. O pedido foi acolhido pela 2ª Vara Criminal Federal e encaminhado à Justiça dos EUA. Os imóveis estão avaliados em cerca de US$ 13 milhões.

O sequestro foi executado em Nova York por ordem da Corte Judicial no Distrito de Columbia. No pedido, o Ministério Público Federal em São Paulo assinalou a importância da medida cautelar no âmbito das ações penais movidas contra os Índio da Costa e contra 15 ex-diretores do banco, por diversos crimes financeiros, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

A preocupação do Ministério Público Federal é evitar a dissipação, no exterior, de bens dos ex-controladores do Cruzeiro do Sul, de suposta origem ilícita – os imóveis teriam sido obtidos com recursos oriundos dos diversos crimes financeiros pelos quais são acusados em duas ações penais.

A liquidação judicial do banco foi decretada em razão das fraudes que ambos são acusados de cometer contra a instituição e seus investidores.

Os banqueiros já tomaram conhecimento formal do sequestro. Os apartamentos estão em nome das offshore Alínea Corporation e 110CPSINC, ambas com sede nas Ilhas Virgens Britânicas e de propriedade de Luís Felippe Índio da Costa e de Luís Octávio Índio da Costa.

Eles já tomaram conhecimento desta medida e já contrataram advogado nos EUA para sua defesa, segundo informou a promotoria americana.

Com a palavra, a defesa. O criminalista Roberto Podval, que defende os Índio da Costa, afirmou que “os imóveis constam das declarações ao imposto de renda da família”.

“São declarados em nome das offshore, é verdade. As offshore também estão declaradas ao Fisco, inclusive tudo o que tem lá (dentro dos apartamentos). Está tudo intocável desde o início da investigação. Os Estados Unidos apenas cumpriram o bloqueio para impossibilitar eventual venda, mas nunca se cogitou disso. Esse bloqueio é antigo, foi decretado pela Justiça Federal em São Paulo há muito tempo. Não há nada oculto.”

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