Justiça do Trabalho proíbe dono da Havan de promover voto de cabresto para Bolsonaro

Justiça do Trabalho proíbe dono da Havan de promover voto de cabresto para Bolsonaro

Juiz fixa multa de R$ 500 mil caso Luciano Hang, dono da loja de departamentos, descumpra a determinação; empresário fará transmissão ao vivo para dizer que Justiça está 'tentando calar o brasileiro'

Caio Blois, especial para o Estado

03 Outubro 2018 | 16h08

Foto: Reprodução de acervo pessoal de Luciano Hang

A 7.ª Vara do Trabalho de Florianópolis acatou pedido de tutela antecipada em caráter antecedente do Ministério Público do Trabalho (MPT) e proibiu Luciano Hang, dono da Havan, de influenciar o voto de seus funcionários. O empresário apoia Jair Bolsonaro (PSL).

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O juiz Carlos Alberto Pereira de Castro fixou uma multa de R$ 500 mil caso a determinação não seja atendida.

O magistrado entendeu que a atitude de Hang vai de encontro aos direitos fundamentais. Pereira de Castro considerou que o risco de prejudicar o resultado das eleições é presente, ao passo que a ‘materialização da violação do direito de livre manifestação política é, de início, o escrutínio do próximo domingo, podendo haver, ou não, segundo turno’.

“Este é o fundamento pelo qual se observa que a urgência é contemporânea à propositura da medida”, pontuou.

Luciano Hang usou suas redes sociais para publicar uma foto da intimação recebida pelo Ministério Público do Trabalho e prometeu divulgar um vídeo às 17h para falar ‘como estão tentando calar o brasileiro”. Além desta mensagem, o empresário tem publicado outros textos em apoio a Bolsonaro.

Reprodução das redes sociais de Luciano Hang

O empresário ameaçou sair do país e demitir 15 mil funcionários caso seu candidato não vença as eleições, o que é um ‘lamentável precedente’ nas palavras do magistrado.

“O receio da perda do posto de trabalho, em tais circunstâncias, não dependeria mais das derivações da economia ou dos humores do mercado, mas sim de uma retaliação do empregador-réu, como um aviso prévio com data marcada: o dia da publicação do resultado final das eleições presidenciais”, decidiu Pereira de Castro.

A Havan também deverá veicular nesta sexta, 5, um vídeo nas páginas institucionais no Facebook e no Twitter contendo o teor da decisão judicial.

De acordo com a decisão, a empresa terá de divulgar o despacho em todas as lojas e unidades administrativas da rede no país, deixando claro ‘o livre direito de escolha de candidatos aos cargos do pleito de 7 de outubro’.

COM A PALAVRA, A HAVAN

Procurada, a Havan informou que se posicionará sobre o caso na transmissão ao vivo de Luciano Hang.

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