Justiça do Rio decreta prisão e pede à Interpol extradição de ‘Rei Arthur’

Justiça do Rio decreta prisão e pede à Interpol extradição de ‘Rei Arthur’

Juízo da 1ª Vara Especializada do Rio acolhe pedido do Ministério Público do Estado, que denunciou o empresário Arthur César de Menezes Soares Filho pelo suposto pagamento de propina ao delegado de Polícia Ângelo Ribeiro de Almeida, em troca de proteção em inquéritos tributários da Delegacia Fazendária

Redação

12 de maio de 2022 | 10h33

Acolhendo pedido do Ministério Público estadual, o Juízo da 1ª Vara Especializada do Rio expediu mandado de prisão preventiva contra Arthur César de Menezes Soares Filho, o ‘Rei Arthur’, e determinou o envio de ofício à Interpol com pedido de extradição do empresário. De acordo com a Promotoria fluminense, ‘Rei Arthur’ está preso administrativamente nos Estados Unidos e com audiência marcada para esta sexta-feira, 13.

A decisão foi proferida após o MP do Rio denunciar o empresário pelo suposto pagamento de propina ao delegado de Polícia Ângelo Ribeiro de Almeida, em troca de proteção em inquéritos tributários da Delegacia Fazendária. A acusação imputa crimes de corrupção e lavagem de dinheiro à dupla. A  denúncia atinge também a mulher do policial, Renata Andriola de Almeida e Eliane Pereira Cavalcante e Claudio de Albuquerque Haidamus.

Além de expedir o mandado de prisão preventiva contra o ‘Rei Arthur’, a 1ª Vara Especializada do Rio determinou o afastamento do delegado Ângelo Ribeiro de Almeida da Polícia Civil e da Assembleia Legislativa do Rio, onde o policial exercia cargo de assessoramento.

A denúncia da Promotoria narra que, para ‘ser beneficiado em inquéritos policiais que tramitavam na DELFAZ, relacionados a empresas das quais era sócio ou tinha interesses, Arthur Soares transferiu, em agosto de 2014, R$ 2 milhões para que o delegado e sua mulher adquirissem a franquia do restaurante L’Entrecôte de Paris, em Ipanema, através de um simulado contrato de mútuo’.

De acordo com o MP, foram encontradas diversas versões do documento ao longo da investigação. Ele teria sido ‘utilizado como forma de encobrir a propina negociada, a fim de atender aos interesses do empresário para que os inquéritos tributários não o prejudicassem’, diz a Promotoria.

Ângelo Ribeiro de Almeida ficou lotado na Delegacia Fazendária entre 2008 e 2015. Os promotores dizem que, em tal período, foram identificados ‘diversos indícios de enriquecimento ilícito, com uma abrupta mudança de seu padrão de vida’. Na época, inquéritos relacionados a Arthur Soares tramitavam durante anos, sem terem sido concluídos, aponta ainda o MP.

“Posteriormente, Ângelo foi cedido à Assembleia Legislativa do Rio, por meio do então deputado Jorge Picciani, para atuar na presidência e depois esteve nomeado para exercer consultoria orçamentária e financeira da Casa Legislativa, onde se encontra atualmente lotado”, indicou o Ministério Público.

A denúncia contra ‘Rei Arthur’ e Ângelo tem como base uma investigação iniciada em 2018. A apuração chegou a ser enviada ao Ministério Público Federal, mas retornou à Promotoria fluminense após decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal.

O inquérito foi abastecido com provas obtidas em operações como a Titereiro, que culminou na denúncia, pelo MPF, em 2020, 15 investigados – entre eles o ex-secretário Nacional de Justiça (Governo Michel Temer), Astério Pereira dos Santos – por suposto esquema de propinas a conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro para beneficiarem as empresas Denjud e JB Alimentação em contratos com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

COM A PALAVRA, OS ACUSADOS

A reportagem busca contato com os denunciados. O espaço está aberto para manifestações.

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