Justiça determina sequestro de R$ 22 milhões de ex-governador da Paraíba e mais oito investigados na Operação Calvário

Justiça determina sequestro de R$ 22 milhões de ex-governador da Paraíba e mais oito investigados na Operação Calvário

Decisão atinge Ricardo Coutinho (PSB), apontado como principal integrante de organização criminosa que desviou recursos da Saúde e recebia mesada de R$ 360 mil

Rayssa Motta

18 de junho de 2020 | 04h06

Ricardo Coutinho, ex-governador da Paraíba, é apontado como líder de organização criminosa que desviou cifras milionárias da Saúde do Estado. Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Justiça determinou o sequestro de R$22 milhões em valores e bens do ex-governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), e mais oito investigados na Operação Calvário por desvio de recursos da Saúde do Estado. Ele chegou a ser preso em dezembro, mas foi solto um dia depois.

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A decisão do juiz José Guedes Cavalcanti Neto, da 3ª Vara Criminal de João Pessoa, foi proferida no último dia 11 e inclui ainda o ex-secretário de Planejamento da Paraíba, Waldson de Souza, a ex-secretária de Finanças, Aracilba Rocha, o ex-procurador-geral do Estado, Gilberto Carneiro da Gama, o médico Edmon da Silva Filho, Saulo de Avelar Esteves, o ex senador Ney Suassuna e o filho dele, Fabrício Suassuna.

Veja abaixo os valores sequestrados:

“Na hipótese de não ser encontrado valores nas contas bancárias, proceda-se o bloqueio de veículos registrados em nome dos representados e, sendo infrutífera a ação, proceda-se o sequestro de bens imóveis registrados em nome dos imputados”, decidiu o magistrado.

Na sentença, o juiz destacou ‘fortes indícios’ de fraudes em contratos celebrados entre o governo da Paraíba e a filial da Cruz Vermelha filial no Rio Grande do Sul durante a gestão de Coutinho. O magistrado mencionou ainda a existência de notas fiscais e relatórios fraudulentos referentes as uso de consultorias fictícias e simulação de aquisição de medicamentos e materiais médicos que não eram entregues.

“Pelos depoimentos em colaboração de um dos integrantes do grupo, havia repasse mensal de valores para cada participante da organização e essa situação perdurou por muitos anos. Assim, os indícios de que houve locupletação de dinheiro público são fortíssimos, tendo os imputados como os principais suspeitos de serem os beneficiados pela atividade ilícita desenvolvida na administração do Governador Ricardo Coutinho”, escreveu o juiz.

O grupo foi denunciado pelo Ministério Público, que aponta Coutinho como o líder de uma organização criminosa que teria se instalado na área da Saúde durante seus dois mandatos como governador, entre 2011 e 2018. Segundo delatores da Calvário, o ex-governador teria recebido propina mensal de R$ 360 mil, apenas da área da saúde.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE RICARDO COUTINHO

Coutinho nega as acusações. Segundo ele, ‘jamais seria possível um Estado ser governado por uma associação criminosa e ter vivenciado os investimentos e avanços nas obras e políticas sociais nunca antes registrados’.

COM A PALAVRA, OS DEMAIS INVESTIGADOS

A reportagem busca contato com a defesa dos investigados. O espaço está aberto para manifestação (rayssa.motta@estadao.com).

 

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