Justiça decreta novo mandado de prisão contra operador financeiro ligado ao Banco Paulista

Justiça decreta novo mandado de prisão contra operador financeiro ligado ao Banco Paulista

Paulo César Haenel Barreto, que já está cumprindo outro mandado de prisão em Curitiba, desde 8 de maio, alvo da Lava Jato 61, teria intermediado operações de dólar cabo com os doleiros do Rio 'Juca Bala' e 'Tony'; Instituição Financeira ainda é investigada pela importação de reais em espécie oriundos do Paraguai

Pepita Ortega e Luiz Vassallo

24 de maio de 2019 | 15h55

A sede do Banco Paulista, em Sao Paulo. Foto: Reprodução / Google Maps

A pedido do Ministério Público Federal, a Justiça expediu novo mandado de prisão contra o suposto operador financeiro Paulo César Haenel Barreto, que já está preso em Curitiba. Apontado no sistema informatizado Bankdrop, utilizado pelos doleiros do Rio Juca Bala e Tony, como ‘BP’ (Banco Paulista), Barreto teria realizado diversas operações ilícitas de compra e venda de dólares, tendo operado o valor total de US$ 3,8 milhões, no período entre 2011 e 2016.

As transações do Banco Paulista são alvo da fase 61 da Operação Lava Jato, deflagrada no dia 8 de maio.

Os investigadores miram esquema de lavagem de dinheiro do Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht. Entre 2009 e 2015, R$ 48 milhões foram lavados por meio da celebração de contratos falsos com o banco, diz a Lava Jato.

De acordo com o Ministério Público Federal, a investigação revelou um ‘mecanismo ilícito de compensação financeira’.

A apuração indica que Barreto, Tarcísio Rodrigues Joaquim e Gerson Luiz Mendes de Brito, funcionários do Banco Paulista presos preventivamente, ‘intermediavam o repasse de comissões de executivos da empreiteira’.

Eles atuavam respectivamente como funcionário da mesa de câmbio, diretor da Área de Câmbio e diretor-geral do Banco Paulista. Os três ainda trabalham no grupo financeiro.

Repasses de R$ 280 milhões, realizados pelo banco entre 2010 e 2017, a 10 ’empresas aparentemente sem estrutura’ também são investigados na fase 61 da Lava Jato, denominada Operação Disfarces de Mamom.

Segundo a Procuradoria, as companhias emitiam ‘notas fiscais em numeração sequencial e não tinham funcionários’. Além disso, a apuração verificou a inexistência e incompatibilidade das sedes das empresas.

O Ministério Público Federal afirma que, com a deflagração da Operação ‘Câmbio, Desligo’, em maio do ano passado, no Rio, com pedido de prisão contra 47 doleiros que atuavam em todo o país, revelou-se o esquema de operações dólar-cabo nos mais diversos lugares do mundo, em uma verdadeira rede paralela para movimentação de ativos financeiros.

A Procuradoria sustenta que ‘nesse grande esquema, Paulo Barreto operava para si e terceiros, agindo como um agenciador, e realizou diversas operações de compra e venda de dólares’.

De acordo com o Ministério Público Federal, Barreto teria lavado dinheiro por meio de contas em paraísos fiscais, que operava em conjunto com operadores financeiros do ex-governador Sérgio Cabral.

Na investigação em curso em Curitiba, segundo a Procuradoria, ‘busca-se desvendar a atuação de Paulo Barreto, enquanto funcionário do Banco Paulista, na realização de contratos fictícios em nome da instituição relacionados à Odebrecht’.

Já no Rio, a investigação aponta para ‘a atuação dele (Barreto) na dissimulação de capital próprio, envolvendo, inclusive familiares’.

‘Importação de reais’

A investigação em curso no Rio tem como objetivo, ainda, aprofundar os achados do Banco Central relacionados a possíveis atos de lavagem de dinheiro praticados pelo Banco Paulista na importação de reais em espécie do Paraguai.

A denominada ‘importação de moeda nacional’ consiste no transporte físico de efetivo do Paraguai para o Brasil. Trata-se de operação legal e oficial, regulada pelo Banco Central, onde uma instituição estrangeira vende os reais recebidos no comércio local de volta a instituições financeiras do Brasil. Em contrapartida, recebe em banco no exterior, em dólares, pelos valores entregues em efetivo.

De acordo com o Banco Central, no entanto, ‘foram encontradas disparidades entre os valores importados pelo Banco Paulista e aqueles que são produzidos em decorrência do comércio local, havendo suspeita de que a operação esteja sendo feita para lavagem de dinheiro’.

Ainda de acordo com o Banco Central, um dos principais exportadores de reais seria o Banco Basa (antigo Banco Amambay) de propriedade de Horacio Cartes – ex-presidente do Paraguai e muito ligado a Dario Messer, apontado na Operação ‘Câmbio, Desligo’ como principal articulador do esquema.

Dólar-cabo – A rede estruturada por Messer, Juca e Tony foi utilizada por ao menos outros 46 doleiros, afirma a Procuradoria.

As operações dólar-cabo são uma forma de movimentar recursos de forma paralela, sem passar pelo sistema bancário. Usualmente, agentes públicos corruptos compram dólares no exterior de empresas que necessitam comprar reais em espécie no Brasil para corromper outros agentes públicos.

Para que a operação funcione, é preciso uma extensa rede de contatos para casar as operações de compra e venda, o que era intermediado por doleiros de Juca e Tony.

A metodologia traz vantagens para os doleiros como os irmãos Chebar, que utilizaram esse esquema, ‘pois eles conseguem realizar as operações de seus clientes sem qualquer contato com o dinheiro em espécie ou custódia de valores, o que reduz consideravelmente os seus riscos’.

COM A PALAVRA, O BANCO PAULISTA

Paulo Cesar Pereira Barreto era prestador de serviços, sem exclusividade com o Banco Paulista, e portanto livre para trabalhar com outras instituições. O Banco desconhecia o seu envolvimento em atos ilícitos. Seu contrato com o Banco foi rescindido.

Diretoria do Banco Paulista

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