Justiça de São Paulo condena médico a 104 anos de prisão por desvios de R$ 500 milhões da Saúde

Justiça de São Paulo condena médico a 104 anos de prisão por desvios de R$ 500 milhões da Saúde

Outros sete denunciados pelo Ministério Público do Estado foram condenados a penas de até 75 anos de reclusão pela 1.a Vara da Comarca de Penápolis, a 476 quilômetros da capital; todos são alvo da Operação Raio-X, que investigou contratos de gestão supervalorizados ou simulados em 14 municípios paulistas, além de outros dois no Pará, um na Paraíba e um no Paraná

Wesley Gonsalves

30 de agosto de 2021 | 18h23

Um médico e outras setes pessoas foram condenadas por desviar cerca de R$ 500 milhões em verbas da área da saúde de cidades do interior paulista. A decisão é da 1ª Vara da Comarca de Penápolis, a 476 km de São Paulo. A ação penal teve origem na operação “Raio-X” da Polícia Civil do Estado. Cabe recurso.

O grupo utilizava contratos de gestão na área de saúde para receber repasse de verbas públicas e, por meio de contratos supervalorizados, ou simulados, desviavam recursos para os integrantes da quadrilha. O processo está sob segredo de Justiça. Não foi divulgada a sentença e nem os nomes do grupo condenado.

Os envolvidos teriam atuado nas cidades paulista de Barueri, Penápolis, Birigui, Guapiara, Lençóis Paulista, Ribeirão Pires, Araçatuba, Mandaqui, Guarulhos, Agudos, Santos, Carapicuíba, Sorocaba, Vargem Grande Paulista, além de Patos, na Paraíba, Araucária, no Paraná, em Capanema e Belém, ambas no Pará. O grupo recebeu repasses de verbas públicas em aproximadamente R$ 2 bilhões.

Mais de 30 pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de São Paulo. Os processos foram desmembrados e esta é a primeira sentença relacionada caso emitida pela 1ª Vara de Penápolis.

De acordo com as investigações, o médico atuava como líder da quadrilha. Ele foi condenado a 104 anos, dois meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, e terá que pagar indenização ao município de Penápolis no valor de R$ 947 mil ao município.

Um dos integrantes da quadrilha teria ocupado o cargo de presidente da Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Birigui (510 km da capital). O réu foi sentenciado a 49 anos e dois meses de reclusão, em regime fechado, à perda da função pública e à interdição para o exercício de qualquer função ou cargo público por oito anos após o cumprimento da pena, além do pagamento de R$ 908.993,40 ao município de Penápolis.

Os outros seis condenados receberam penas que variam entre 75 anos de reclusão e 19 anos e 10 meses de reclusão. Todos deverão indenizar o município.

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