Justiça dá 5 dias para Vaccari esclarecer R$ 583 mil na conta de sua mulher

Justiça dá 5 dias para Vaccari esclarecer R$ 583 mil na conta de sua mulher

Depósitos em dinheiro 'aparentemente sem origem comprovada' teriam sido feitos entre 2008 e 2014 em favor de Giselda Rousie de Lima

Redação

08 de maio de 2015 | 08h12

Tesoureiro do PT João Vaccari, que virou réu em processo da Lava Jato - Foto: Sérgio Castro/Estadão

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari – Foto: Sérgio Castro/Estadão – 05/02/2015

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Fausto Macedo e Julia Affonso

O juiz Sérgio Moro, que conduz as ações penais da Operação Lava Jato, deu um prazo de 5 dias para o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto explicar depósitos em dinheiro na conta de sua mulher, Giselda Rousie de Lima. O esclarecimento pedido pelo magistrado se deu após um pedido de revogação da prisão preventiva de Vaccari, feito por sua defesa.

“Em vista da louvável disposição da defesa para esclarecer os fatos e considerando a relevância do ponto para a prisão preventiva, intime-se a defesa para, querendo, esclarecer os aludidos depósitos em dinheiro de R$ 583.400,00 entre 2008 e 2014 na conta de Giselda Rouse de Lima, aparentemente sem origem comprovada, demonstrando origem e natureza dos valores”, afirmou Moro. “Prazo de cinco dias.”

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A força-tarefa da Lava Jato identificou depósitos ‘picados’, no limite próximo de R$ 10 mil cada, que somaram R$ 322,9 mil em conta da mulher de Vaccari. Em um único dia, 12 de dezembro de 2013, Giselda teria recebido cinco depósitos, quatro deles no valor de R$ 2 mil e um de R$ 1.500. O rastreamento bancário de Giselda pegou o período entre 1.º de julho de 2006 e 18 de dezembro de 2014.

Além dos depósitos ‘fatiados’, os peritos do Ministério Público Federal constataram, a partir da quebra do sigilo bancário, que caíram na conta da mulher do tesoureiro do PT repasses superiores a R$ 10 mil, também em dinheiro, que somaram R$ 260,5 mil, entre 19 de setembro de 2008 e 29 de outubro de 2012. As quantias somadas chegam aos R$ 583,4 mil que a Justiça quer que Vaccari explique.

A Operação Lava Jato investiga um esquema de cartel, corrupção e propinas a políticos na Petrobrás, do qual Vaccari é acusado de envolvimento. No dia 28 de abril, o ex-tesoureiro do PT pediu revogação da ordem de prisão preventiva que o mantém desde 15 de abril sob custódia.

O pedido foi subscrito pelo criminalista Luiz Flávio Borges D’Urso, que o defende. Vaccari está preso na Polícia Federal em Curitiba (PR), base da Lava Jato, sob suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro oriundo de propina do esquema Petrobrás supostamente direcionada para o partido.

Como “derradeira argumentação”, Vaccari sugere ao juiz Sérgio Moro – que conduz as ações da Lava Jato e mandou prendê-lo -, a adoção de uma medida cautelar, “especialmente aquela que dispõe sobre a concessão de liberdade vigiada por meio de tornozeleira eletrônica, medida que abranda e afasta o rigor extremo desta prisão preventiva, que se mostra injustificada”.

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