Justiça condena Youssef a 4 anos e 4 meses de prisão por corrupção

Doleiro da Lava Jato é alvo também de processos do caso Banestado

Redação

17 de setembro de 2014 | 17h24

Por Fausto Macedo e Mateus Coutinho

A Justiça Federal no Paraná condenou nesta quarta feira, 17, a 4 anos e 4 meses de prisão o doleiro Alberto Youssef pelo crime de corrupção ativa no âmbito do caso Banestado – escândalo de evasão de divisas nos anos 1990. Alvo da Operação Lava Jato – investigação sobre lavagem de R$ 10 bilhões e corrupção na Petrobrás – Youssef sofria ainda acusação por seu vínculo com o caso do antigo banco do Estado do Paraná.

Neste caso, ele foi condenado porque obteve, em agosto 1998, empréstimo fraudulento de US$ 1,5 milhão para a Jabur Toyopar Importação e Comércio de Veículos Ltda. no Banestado, agência de Grand Cayman, mediante pagamento de propina de US$ 131 mil ao então diretor de Operações Internacionais da instituição financeira. Esse valor, segundo o Ministério Público Federal, foi repassado para uma “campanha eleitoral” de 1998.

A sentença é do juiz Sérgio Moro. Na mesma sentença, o doleiro foi absolvido da imputação do crime de gestão fraudulenta de instituição financeira. O juiz condenou Youssef ao regime fechado – o doleiro está preso desde 17 de março por sua ligação com a Lava Jato.

A ação contra Youssef havia sido suspensa em 2004, quando o doleiro fez delação premiada e revelou bastidores de um grande esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas por meio do Banestado.

Com a descoberta da participação de Youssef nos crimes de lavagem e corrupção no âmbito da Lava Jato, deflagrada em março pela Polícia Federal, a Justiça reabriu duas ações penais contra o doleiro, ainda da época do caso Banestado.

A condenação hoje imposta ao doleiro é oriunda de ação penal originariamente proposta em 2003 pelo Ministério Público Federal – ela foi suspensa em decorrência daquele acordo de colaboração premiada celebrado pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público do Estado do Paraná com Alberto Youssef.

Em decorrência dos fatos apurados na Operação Lavajato, o acordo, a pedido do Ministério Público Federal, foi declarado rompido e a ação penal retomou o seu curso agora.

Com a palavra, o ex-governador do Paraná Jaime Lerner

O ex-governador do Paraná Jaime Lerner reagiu à citação a seu nome e à sua campanha de 1998. “Os recursos para as campanhas eleitorais de que participei foram arrecadados dentro da lei, de forma legítima, por um comitê financeiro que prestou as devidas contas à Justiça eleitoral”, declarou.

Jaime Lerner ressaltou que a Justiça eleitoral aprovou suas contas, “não existindo quaisquer ações ou pendências”.
“A acusação ora noticiada foi rejeitada pela Justiça à época, que absolveu plenamente o responsável pelo comitê financeiro”, assinala o ex-governador do Paraná.

Lerner, hoje com 76 anos de idade, mas que diz se sentir “como se tivesse 75”, está fora da política desde 2002. “Por opção eu estou fora da política, eu me dedico à arquitetura (sua profissão), faço aquilo que eu gosto. Não que tenha arrependimento da política. Mas achei que tinha chegado o momento de dar uma parada. Estou em atividade constante, trabalhando em projetos em vários países.”

Em outubro, anuncia, vai visitar oito cidades dos Estados Unidos para lançar seu livro “Conjuntura Urbana”

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