Justiça condena oito estivadores por tráfico internacional no porto de Santos

Justiça condena oito estivadores por tráfico internacional no porto de Santos

Acusados foram presos em flagrante, em outubro de 2018, com 25 quilos de cocaína que seria embarcada no navio 'Meline' com destino a Las Palmas e Valência, na Espanha

Redação

01 de maio de 2019 | 14h29

Porto de Santos. Foto: Werther Santana / Estadão

A Justiça Federal em Santos condenou oito estivadores sob acusação de tráfico internacional de drogas via porto de Santos. Todos já estão presos desde outubro de 2018, quando foram flagrados entrando em um terminal portuário de contêineres com 25,42 quilos de cocaína em ‘tijolos’ atados ao corpo com cintas elásticas.

A condenação do grupo foi divulgada nesta quarta, 1, pelo repórter Eduardo Velozo Fuccia, do jornal A Tribuna de Santos, e confirmada pelo Estadão.

A sentença foi aplicada pelo juiz federal Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5.ª Vara de Santos. Magistrado ‘linha dura’, Roberto concluiu, em 71 páginas, que a participação dos oito réus ‘é certa e inequívoca’. O juiz não permitiu que os acusados recorram em liberdade.

O plano dos estivadores era chegar a bordo do navio ‘Meline’, onde estavam trabalhando, mas agentes da Polícia Federal e da Guarda Portuária interceptaram a remessa que teria como destino os portos de Las Palmas e Valência, na Espanha.

Dos oito réus, sete negaram ligação com o tráfico internacional. Apenas um confessou. Ele disse que um certo ‘Polaco’ os aliciou para que levassem a droga até o ‘Meline’. Por ‘tijolo’ embarcado iriam receber R$ 4 mil.

O juiz se convenceu da ligação do grupo com o tráfico a partir de relatos dos policiais federais e dos guardas do porto. Ao se verem cercados pela força-tarefa os estivadores tentaram dispensar os ‘tijolos’, mas foram desmascarados por imagens das câmeras de segurança.

A Tribuna destacou trecho da sentença em que Roberto Lemos alerta para a ousadia do grupo. “Friso que entre os acusados figuram diretor da Estiva (Jânio) e fiscal da Estiva (Renato), tudo estando a sinalizar que organizações criminosas vêm se infiltrando entre trabalhadores portuários para implementar ações ligadas ao tráfico transnacional de cocaína.”

O magistrado impôs a Jânio Alves de Souza e a Vicente Alves de Souza as penas mais elevadas, 9 anos e 20 dias de reclusão. Leandro Alfredo Casartelli Pinheiro pegou 7 anos, onze meses e oito dias de prisão. Renato Zavier Koti e Douglas Reinaldo Silva de Oliveira, 6 anos, nove meses e 20 dias.

A pena menos grave ficou para Wagner da Silva – cinco anos e dez meses -, porque ele confessou o crime. O juiz condenou Claudemir Silva Santos e Orivelton Gonçalves de Jesus a seis anos, seis meses de mais 22 dias de reclusão.

Roberto Lemos considera que os estivadores faziam parte de uma ‘ação orquestrada por organização criminosa’. Os líderes desse grupo, porém, ainda estão sob investigação.

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