Justiça condena mulher de Dr Hélio a 20 anos de prisão

Justiça condena mulher de Dr Hélio a 20 anos de prisão

Rosely Santos, ex-primeira-dama de Campinas, é acusada de quadrilha, fraudes em licitação, corrupção e desvios de recursos públicos no Caso Sanasa; também foi condenado o ex-vice-prefeito do PT, Demétrio Vilagra (13 anos )

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

01 de dezembro de 2015 | 19h36

A ex-primeira-dama de Campinas Rosely Santos, condenada a 20m anos de reclusão no Caso Sanasa / Foto: Denny Cesare

A ex-primeira-dama de Campinas Rosely Santos, condenada a 20 anos de reclusão no Caso Sanasa / Foto: Denny Cesare

O juiz da 3ª Vara Criminal de Campinas, Nelson Augusto Bernardes, condenou nesta terça-feira, 1, Rosely Nassim dos Santos, mulher do ex-prefeito de Campinas cassado em 2011 Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, a 20 anos de reclusão e o ex-vice-prefeito da cidade Demétrio Vilagra (PT) a 13 anos de reclusão no maior escândalo de corrupção da prefeitura local, o Caso Sanasa. Rosely e Demétrio poderão recorrer em liberdade. Dr. Hélio não é réu na ação.

Os acusados foram condenados pelos crimes de formação de quadrilha, fraudes em licitação, corrupção e desvios de recursos públicos. O esquema de corrupção na Sanasa foi desbaratado por uma operação do Grupo de Atualçao Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em maio de 2011, quando 11 pessoas chegaram a ser presas, entre elas, o vice-prefeito.

Eram ao todo 22 réus, apenas quatro pessoas foram absolvidas. O juiz condenou a primeira-dama como líder de um esquema que teria desviado milhões dos cofres da empresa de água do município, com a participação do vice-prefeito, empresários, funcionários públicos e lobistas.

O escândalo levou a cassação também o prefeito Dr Hélio, que não figurou na lista de denunciados, e também seu vice, Demétrio Vilagra, que assumiu o cargo.

O ex-presidente da Sanasa Luiz Castrilon de Aquino, que virou delator do processo, foi condenado a 5 anos e 10 meses de reclusão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em licitação. Sua pena de reclusão foi convertida em prestação de serviços à comunidade, por ter colaborado com as apurações.

O criminalista Pierpaolo Bottini, que defende o executivo Dalton dos Santos Avancini, disse que ainda não teve acesso à sentença e que não poderia se manifestar.

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA EDUARDO CARNELÓS, DEFENSOR DE ROSELY SANTOS

O criminalista Eduardo Carnelós reagiu enfaticamente à condenação da ex-primeira dama de Campinas. “Ainda não fui intimado, mas sem ler a sentença posso afirmar desde logo que que ela não se sustenta. Há várias nulidades incontornáveis no processo inclusive cerceamento de defesa. Não há nenhuma prova de prática de crime por parte de dona Roseli.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ALBERTO ZACHARIAS TORON

O criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o empresário José Carlos Cepera, disse que ainda não teve acesso à sentença, por isso não poderia se manifestar. Ele falou por telefone, de Brasília. “Eu não tive acesso à sentença, portanto em respeito ao juiz não vou me manifestar, mas certamente iremos recorrer.”

VEJA QUEM SÃO OS CONDENADOS DO CASO SANASA

Rosely Nassim dos Santos, ex-primeira-dama – 20 anos e 1 mês – formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva

Demétrio Vilagra, ex-vice-prefeito – 13 anos – formação de quadrilha e corrupção passiva Aurélio Cance Júnior, ex-diretor técnico da Sanasa – 17 anos e 8 meses – formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva

Luiz Castrillon de Aquino, ex-presidente da Sanasa – 5 anos e 10 meses – formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva

Marcelo Figueiredo, do ex-diretor Financeiro da Sanasa – 17 anos e 8 meses – formação de quadrilha, fraude em licitação e corrupção passiva

Ricardo Cândia, ex-diretor de Controle Urbano da prefeitura – 13 anos e 8 meses – formação de quadrilha e corrupção passiva

Valdir Boscatto, ex-conselheiro da Sanasa – 8 anos – corrupção passiva Gregório Cerveira, empresário – 11 anos – fraude em licitação e corrupção ativa

João Thomaz Pereira Junior, empresário – 11 anos – fraude em licitação e corrupção ativa Luis Arnaldo – 11 anos – fraude em licitação e corrupção ativa

Alfredo Antunes, empresário – 8 anos – corrupção ativa

Augusto Antunes, empresário – 3 anos – 8 anos – corrupção ativa

Danton dos Santos Avancini, ex-presidente da Camargo Correa – 8 anos – corrupção ativa

Pedro Ibraim Hallack, empresário – 8 anos – corrupção ativa

José Carlos Cepera, empresário – 12 anos e 10 meses – fraude em licitação e corrupção ativa

Maurício Manduca, lobista – 14 anos e 5 meses – fraude em licitação e corrupção ativa

Emerson Geraldo de Oliveira, lobista – 14 anos e 5 meses – fraude em licitação e corrupção ativa

ABSOLVIDOS

Carlos Henrique Pinto, ex-secretário da prefeitura

Ivan Goreti, promotor de eventos

Gabriel Gutierrez, empresário João Carlos Gutierrez, empresário

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