Justiça condena hospital e médica por agulha esquecida no corpo da paciente

Justiça condena hospital e médica por agulha esquecida no corpo da paciente

Juíza da 10.ª Vara Cível de Campo Grande impõe pagamento de R$ 25 mil por danos morais à mulher, vítima de erro durante cirurgia plástica

Luiz Vassallo

21 Março 2017 | 05h15

Foto: CNJ/TJMS

Foto: CNJ/TJMS

Uma mulher que teve uma agulha esquecida no corpo edurante cirurgia plástica no Mato Grosso do Sul, deverá ser indenizada no valor de R$ 25 mil a título de danos morais. A decisão é da 10ª Vara Cível de Campo Grande, que julgou a ação movida pela autora como parcialmente procedente.

Três dias após receber alta da cirurgia, realizada em abril de 2001, no hospital Associação de Amparo a Maternidade e a Infância, L.D.R da S. alegou ter sofrido ‘constantes dores’. Em 2005, ao passar por exame radiológico, confirmou que havia uma agulha dentro de seu corpo, na região pélvica. Ela moveu ação por danos morais e materiais contra a cirurgiã Rosana Dorsa Vieira Pontes, sua equipe, e o hospital pelo procedimento feito quatro anos antes.

O hospital se defendeu alegando que não havia provas de que a agulha foi esquecida no corpo da paciente na cirurgia realizada em 2001 e a médica afirmou não ter participado do procedimento, já que estaria, na data da operação, em curso de pós graduação em São Paulo. Os outros profissionais da equipe também alegaram não ser responsáveis pelo ocorrido.

Ao condenar a médica e o hospital, a juíza da 10ª Vara Cível de Campo Grande Sueli Garcia Saldanha afirmou que ‘a proximidade da localização, somado ao fato de que o corpo estranho (objeto metálico que não diz respeito a uma prótese, pino ou outro dispositivo intencionalmente inserido para alguma finalidade médica) foi detectado em momento posterior à cirurgia de colpoperineoplastia, sem qualquer prova de que tenha existido outra cirurgia no mesmo local, são provas idôneas de que a agulha foi deixada no corpo da autora e por decorrência do procedimento realizado em 10.04.2001’.

A magistrada ainda destacou que a médica Rosana Dorsa Vieira Pontes assinou como responsável pelo procedimento e que, dessa forma, ‘atuou’ na cirurgia ‘seja a orientar os médicos residentes e auxiliar ou a realizar pessoalmente a atividade’. Os demais profissionais implicados não tiveram responsabilidade comprovada sobre o ocorrido, segundo a juíza, que negou também o pedido de indenização por danos materiais.

COM A PALAVRA, A ASSOCIAÇÃO DE AMPARO À MATERNIDADE E À INFÂNCIA

A reportagem entrou em contato com a defesa da Associação de Amparo a Maternidade e a Infância, mas ainda não obteve resposta.

COM A PALAVRA, A MÉDICA ROSANA DORSA VIEIRA

A reportagem entrou em contato com a defesa da médica Rosana Dorsa Vieira, mas não obteve resposta.

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