Justiça condena homem que arrancou pedaço da orelha de vítima na festa das bicampeãs do vôlei em Londres

Justiça condena homem que arrancou pedaço da orelha de vítima na festa das bicampeãs do vôlei em Londres

José Renato Andrade Martinez pegou três anos por agressão durante comemoração pela medalha das meninas nas Olimpíadas de 2012

Luiz Vassallo

11 de abril de 2017 | 05h00

ORELHA

A juíza da 11.ª Vara Criminal de São Paulo, Vivian Brenner de Oliveira, condenou a três anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial aberto, José Renato Andrade Martinez, que arrancou, a mordidas, um pedaço da orelha de um homem durante a festa de comemoração da medalha de ouro conquistada pela seleção feminina de vôlei brasileira em agosto de 2012, bicampeã na Olimpíada de Londres.

Documento

Martinez foi condenado por crime de lesão corporal com base na acusação do promotor de Justiça Luis Claudio de Carvalho Valente, do Ministério Público de São Paulo. O crime ocorreu em Londres, mas a Justiça brasileira se tornou competente para julgar o caso.

A vítima, Luan Castello Veiga Innocêncio Cardoso, afirmou ter conhecido Martinez na festa após a vitória da Seleção de Vôlei na capital inglesa.

Segundo relatos, Martinez, ‘aparentando estar bêbado’, passou a incomodar as atletas, ‘tentando tocá-las’, até que uma delas pediu que a segurança do local retirasse o réu do camarote.

O promotor destacou que houve uma discussão, durante a qual o agressor xingou e ameaçou a vítima. Algum tempo depois, quando a situação parecia estar mais calma, Martinez simulou ter algo a dizer à vítima, ‘momento em que segurou-a e mordeu sua orelha’.

O pedaço da orelha foi encontrado depois embaixo de uma almofada do sofá.

Algumas campeãs do vôlei testemunharam a cena.

O depoimento de Luan Castello Veiga Innocêncio Cardoso foi corroborado pelas jogadoras Fernanda Garay e Adenízia da Silva, que viram a briga.

Após a agressão, Renato voltou ao hotel onde estava hospedado, fez as malas e se dirigiu ao aeroporto. Luan prestou depoimento à polícia e voltou, em seguida, ao Brasil. Ele relatou ter ficado com ‘medo de encontrar o réu e teve várias crises de pânico, sem querer nem sair de casa’.

Luan disse ainda ter ‘perdido qualidade de vida, além de arcar com altas despesas médicas’.

A juíza considerou que ‘obviamente, houve dissimulação por parte do réu que fingiu que estava tudo bem antes de desferir o golpe’.

“O comportamento do réu de se furtar à responsabilidade, fugindo do clube noturno em que se encontrava sem prestar qualquer assistência à vítima deve ser considerado como circunstância desfavorável”, anotou a juíza.
A magistrada decidiu ainda que ‘o réu respondeu ao processo solto e assim deverá permanecer no processamento de eventual recurso’.

COM A PALAVRA, RENATO ANDRADE MARTINEZ

A reportagem tentou contato, por telefone, com os advogados José Luiz Tolosa Oliveira Costa e Markus Miguel Novaes, que defendem Renato Andrade Martinez. O espaço está aberto para manifestação.

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