Justiça condena ex-braço direito do juiz Odilon a 41 anos de prisão por desvio de dinheiro apreendido

Jedeão de Oliveira, que durante 20 anos foi chefe de gabinete do magistrado da 3.ª Vara Federal de Campo Grande, terá ainda de devolver R$ 10,6 milhões, valor que inclui multa sobre montante que supostamente desviou

Redação

04 Dezembro 2018 | 05h00

O ex-chefe de gabinete do juiz Odilon de Oliveira na 3.ª Vara Federal de Campo Grande, Jedeão de Oliveira, foi condenado a 41 anos, três meses e oito dias de prisão por suposto desvio de dinheiro apreendido pela Polícia Federal que deveria ter permanecido em conta judicial. A sentença foi aplicada pelo juiz Dalton Igor Kita Conrado, da 5.ª Vara Federal de Campo Grande.

Braço direito de Odilon por duas décadas, Jedeão poderá apelar em liberdade. Ele terá, ainda, de devolver R$ 10,6 milhões ao Tesouro, incluindo o valor corrigido e multa.

As informações sobre a condenação de Jedeão foram divulgadas pelo site de notícias O Jacaré, de Campo Grande, e confirmadas pela reportagem de O Estado.

O juiz Dalton Conrado condenou Jedeão por supostamente se valer da função de confiança de funcionário público federal para se apossar de valores recolhidos na Operação Vulcano, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2008 contra esquema de exportações fictícias de insumos de pneus e de cerveja.

O desvio começou a ser investigado, segundo o Ministério Público, quando a juíza Monique Leite Marchioli foi informada sobre o sumiço do dinheiro. A magistrada constatou que Jedeão não havia destinado a quantia para o banco e comunicou o fato ao colega, Odilon de Oliveira, que levou o caso à PF.

Uma correição extraordinária do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), que mantém jurisdição em São Paulo e Mato Grosso do Sul, realizada por solicitação do próprio Odilon, confirmou a suspeita de desvios. Exonerado do cargo, Jedeão foi denunciado criminalmente pelo Ministério Público Federal.

Odilon foi candidato ao governo de Mato Grosso do Sul pelo PDT nas últimas eleições, mas, com 47,65% dos votos válidos no segundo turno acabou derrotado pelo tucano Reinaldo Azambuja, reeleito. Durante a campanha, o antigo assessor de Odilon tentou fazer acordo de delação premiada, mas a Procuradoria negou.

DEFESA
A reportagem está tentando localizar a defesa de Jedeão. O espaço está aberto para manifestação.