Justiça condena assassino de perita do Trabalho a 13 anos de prisão

Justiça condena assassino de perita do Trabalho a 13 anos de prisão

Tribunal do Júri Federal em São Paulo julgou culpado comerciante José Correia Neto pela morte de Célia Maria Galbetti, executada com três tiros pelas costas em dezembro de 2008

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

18 de outubro de 2016 | 04h15

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Fachada do TRF3, em São Paulo. Foto: Divulgação

O Tribunal do Júri Federal em São Paulo condenou nesta segunda-feira, 17, o comerciante José Correia Neto a 13 anos e 4 meses de reclusão pelo assassinato da perita da Justiça do Trabalho Célia Maria Galbetti – executada com três tiros pelas costas em 18 de dezembro de 2008.

Os jurados condenaram Correia Neto por homicídio duplamente qualificado – por motivo fútil e por ter utilizado recurso que não permitiu a defesa da vítima (tiros pelas costas).

Os jurados também impuseram ao réu um ano de detenção pelo crime de posse ilegal de arma de fogo.

O Ministério Público Federal informou que vai recorrer. Quer uma pena mais severa para o condenado.

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal.

O júri foi presidido pelo juiz Alessandro Diaféria, da 1.ª Vara Federal Criminal de São Paulo, no plenário do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3).

A acusação foi feita pelos procuradores da República Heloisa Maria Fontes Barreto e Gustavo Torres Soares. A defesa ficou a cargo do advogado Jakson Florencio de Melo Costa.

O comerciante José Correia Neto está preso preventivamente desde março deste ano. Ele passou sete anos foragido.
Sua vítima era perita nomeada da 42.ª Vara do Trabalho de São Paulo.

Segundo a denúncia do Ministério Público Federal, o comerciante matou Célia Maria ’em razão do trabalho dela’.

No dia do crime, ela conferia os livros contábeis da Ótica Miragem, empresa de Correia Neto, localizada no bairro de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, a fim de levantar recursos para a quitação de uma execução trabalhista.

O empresário havia sido condenado a pagar indenização trabalhista a uma ex-funcionária.

De acordo com as investigações, teria ocorrido uma breve discussão entre o empresário e a perita, que teria dito que poderia chamar a polícia. Em seguida, ouviram-se os disparos e Correia Neto deixou a sala com um revólver na cintura, dizendo que estava ‘tudo bem’.

Em seguida, ele passou por uma outra sala da loja, onde deixou a arma de calibre 38 e fugiu.

O assassinato da perita foi julgado na Justiça Federal porque Célia Maria foi morta no exercício de uma função federal e o crime ocorreu em razão da atividade que ela exercia.

A prova pericial aponta que os tiros foram disparados quando Célia Maria estava de costas para o matador. Ela foi atingida por três tiros, dois na região lombar e um nas costas.

Testemunhas a encontraram com vida na sala de Correia Neto, mas ela morreu no local.

As testemunhas foram categóricas em que não havia mais ninguém na sala com o comerciante, que teve a prisão temporária decretada logo após o crime.

A Procuradoria da República denunciou Correia Neto em março de 2013 e pediu a decretação da sua prisão preventiva.

A denúncia foi recebida em abril de 2013, e a prisão preventiva, decretada em dezembro de 2014, após tentativas infrutíferas de citação do réu.

O empresário foi finalmente preso em março deste ano na cidade de Cassilândia, no Mato Grosso do Sul, sete anos e quatro meses após o crime.

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