Justiça condena a 83 anos de prisão cúpula do tráfico ligada à Ndrangheta

Justiça condena a 83 anos de prisão cúpula do tráfico ligada à Ndrangheta

Organização descoberta na Operação Pollino tinha ramificação na máfia italiana e exportava cocaína pelos portos brasileiros, principalmente o de Santos; PF apreendeu 1,3 tonelada da droga e US$ 700 mil durante as investigações

Fausto Macedo

13 Outubro 2015 | 16h32

márcio fernandes.Estadao

Segundo a acusação, os réus faziam parte de um amplo esquema de tráfico internacional de entorpecentes desmontado pela Operação Monte Pollino no ano passado. Foto: Márcio Fernandes /Estadão

A Justiça Federal condenou cinco integrantes da cúpula de uma organização de tráfico de drogas que exportava cocaína para a Europa via portos brasileiros, principalmente o de Santos, no litoral de São Paulo. A sentença atende a um pedido do Ministério Público Federal em Santos. A soma das penas aplicadas ao comando do tráfico passa de 83 anos de prisão. Segundo a acusação, os réus faziam parte de um amplo esquema de tráfico internacional de entorpecentes desmontado pela Operação Monte Pollino no ano passado. Os traficantes tinham ramificações em diversos países, entre eles a Itália, onde eram ligados à Ndrangheta, máfia que opera na região da Calábria.

As informações foram divulgadas no site do Ministério Público Federal em São Paulo nesta terça-feira, 13. (O número da ação é 0003148-30.2014.403.6104. A tramitação pode ser consultada em http://www.jfsp.jus.br/foruns-federais/)

A Operação Monte Pollino foi deflagrada em março de 2014, após um ano de investigações que levaram à apreensão de cerca de 1,3 tonelada de cocaína e US$ 700 mil em espécie que seriam usados para financiar as atividades ilícitas. A droga era adquirida em países vizinhos do Brasil, sobretudo o Peru. A principal forma de remessa ao exterior era por meio de contêineres. Com a ajuda de funcionários dos portos, a quadrilha descobria quais navios estavam a caminho da Europa, camuflava a cocaína em bolsas de viagem e providenciava o envio junto com as mercadorias regularmente transportadas. No destino do carregamento, outros criminosos, ligados aos compradores, apenas recolhiam as bolsas nos contêineres e concluíam a operação.

Os cinco condenados formavam o núcleo principal da organização. A Polícia Federal e a Procuradoria da República citam três movimentos da quadrilha internacional. Na primeira delas, em janeiro de 2013, a quadrilha tentou enviar 44 quilos de cocaína para a Bélgica pelo porto de Munguba, na divisa entre o Amapá e o Pará. No mês seguinte, o grupo acondicionou 174 quilos da droga em contêineres de um navio cargueiro que partiu de Santos também com destino a um terminal belga. Nos dois casos, policiais interceptaram a carga e evitaram que a transação fosse concluída. Em julho daquele ano, antes mesmo que o carregamento fosse exportado, os agentes encontraram outros 20 quilos do entorpecente que pertenciam ao grupo em um depósito em Vitória do Jari, no Amapá.

Um dos chefes do grupo foi condenado a 34 anos e oito meses de prisão, e o outro, a 20 anos e oito meses, além do pagamento de multas que chegam a 370 salários mínimos. Os dois eram responsáveis pela gestão operacional da quadrilha a partir do recrutamento de membros, da distribuição de tarefas e da contabilização dos lucros. As penas foram definidas com base nos crimes de tráfico transnacional de drogas e associação para o tráfico. Os outros três réus, diretamente ligados aos cabeças, faziam parte das atividades de financiamento das operações de exportação e da execução das tarefas. A cada um deles foi atribuída pena de nove anos e quatro meses de prisão. Todos já estão presos e permanecerão sob custódia mesmo durante a fase de recursos.

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