Justiça coloca no banco dos réus manifestantes que ameaçaram Alexandre

Justiça coloca no banco dos réus manifestantes que ameaçaram Alexandre

Juiz Márcio Lucio Falavigna Sauandag, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou denúncia contra o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri, da Frente Brasileira Conservadora, que liderou manifestação na rua em que vive a família do ministro

Paulo Roberto Netto

12 de maio de 2020 | 17h05

O juiz Márcio Lucio Falavigna Sauandag, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou denúncia do Ministério Público e colocou no banco dos réus dois manifestantes acusados de ameaça, injúria e difamação contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Um dos denunciados é o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri, da Frente Brasileira Conservadora.

No início do mês, o movimento liderou manifestação em frente ao prédio onde a família de Moraes tem residência, em São Paulo. O protesto ocorreu após o ministro suspender a nomeação de Alexandre Ramagem, diretor da Abin, para a chefia da Polícia Federal.

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Assinada pela promotora Alexandra Milaré Toledo Santos, a denúncia aponta que Bronzeri teria utilizado um alto-falante para ameaçar o ministro, dizendo que ‘você e sua família jamais poderão sair nas ruas deste país, nem daqui a vinte anos’ e ‘nós iremos defenestrá-los da terra’.

“Na mesma ocasião, os denunciados, juntamente com os coautores não identificados, em via pública, aos olhares de vizinhos e transeuntes, injuriaram e difamaram a vítima chamando-a, através do microfone acoplado ao alto-falante, de ‘advogado do PCC’, ‘ladrão’, ‘corrupto’, ‘covarde’, ‘canalha’, ‘safado’, ‘veado’, ‘maricas’, dentre outras ofensas, sendo toda a ação gravada por câmeras”, detalhou a promotora.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Gabriela Biló / Estadão

Bronzeri foi alvo na semana passada de notícia-crime movida pelo governador João Doria (PSDB) após publicar vídeo no Youtube defendendo aos moradores de São Paulo que reabrissem seus comércios e chamá-lo em caso de empecilho para enxotar fiscais do governo ‘a pontapés’.

O advogado Fernando José da Costa, que defende o governador, alega ter visto ‘crime de resistência’ nas declarações, visto que decretos estaduais restringem a abertura de serviços apenas para aqueles considerados essenciais. A medida foi adotada para reduzir o contágio pelo novo coronavírus no Estado, epicentro da covid-19 no País.

COM A PALAVRA, O ENGENHEIRO ANTÔNIO CARLOS BRONZERI
A reportagem procura contato com o engenheiro Antônio Carlos Bronzeri. O espaço está aberto a manifestações (paulo.netto@estadao.com)

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