Justiça bloqueia R$ 40 milhões de Coaracy e outros cinco alvos da Águas Claras

Justiça bloqueia R$ 40 milhões de Coaracy e outros cinco alvos da Águas Claras

Presidente e dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos foram presos por suposto desvio milionário de verbas federais

Julia Affonso e Luiz Vassallo

07 de abril de 2017 | 05h00

Coaracy Nunes foi preso na Operação Águas Claras. Foto: José Lucena/Futura Press

Coaracy Nunes foi preso na Operação Águas Claras. Foto: José Lucena/Futura Press

A juíza federal Raecler Baldresca, da 3.ª Vara Federal Criminal em São Paulo, mandou bloquear até R$ 40 milhões do presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Coaracy Nunes, e outros cinco alvos da Operação Águas Claras. Coaracy e outros dois dirigentes da entidade – Ricardo Cabral (Coordenadoria Técnica de Polo Aquático) e Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga (Diretor Financeiro) – foram presos nesta quinta-feira, 6, pela Polícia Federal.

O secretário geral de Natação e Executivo, Ricardo de Moura, está foragido.

O bloqueio atinge ainda os empresários Haller Ramos de Freitas e Michael Bruno Werwie.

“Acolho o pedido formulado pelo Ministério Público Federal em aditamento, em razão do que defiro o sequestro de valores, com determinação de bloqueio por meio do sistema Bacenjud de valores constantes de contas bancárias, poupanças, aplicações financeiras e outros direitos e valores mantidos em nome de Coaracy Gentil Monteiro Nunes Filho, Sérgio Ribeiro Lins de Alvarenga, Ricardo Gomes Cabral, Ricardo de Moura, Haller Ramos de Freitas Junior e Michael Bruno Werwie, até o montante de RS 40 milhões, de forma solidário”, ordenou a magistrada.

O montante de R$ 40 milhões equivale ao valor repassado à CBDA pelo Ministério dos Esportes. O dinheiro deveria ter sido aplicado nos esportes aquáticos.

A Águas Claras investiga fraude a licitações. Na mira da operação está a aquisição de equipamentos de natação no valor aproximado de R$ 1,5 milhão. Há indícios de que a empresa vencedora seja apenas de fachada, pois em seu endereço na capital paulista funciona uma Pet Shop.

Também é alvo da Águas Claras a contratação, com suspeitas de irregularidade, de agência de turismo que venderia passagens aéreas e hospedagens para os atletas com preços superfaturados. Essas contratações irregulares eram realizadas com verbas federais obtidas por meio de convênios com o Ministério dos Esportes.

A operação investiga ainda a suposta apropriação por parte dos dirigentes da CBDA de premiação de US$ 50 mil que deveriam ter sido repassados a atletas.

COM A PALAVRA, A CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE DESPORTOS AQUÁTICOS

A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos-CBDA segue com suas atividades esportivas programadas para o período. Enquanto a presidência da entidade se encontra vaga, a 25ª vara civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nomeou o advogado e contador, Dr. Gustavo Licks, como administrador provisório. Desta forma, vimos informar à comunidade dos esportes geridos pela CBDA – natação, polo aquático, nado sincronizado, saltos ornamentais e maratonas aquáticas – que as ações imediatas programadas em seu calendário não serão interrompidas.

O principal evento do mês, o Campeonato Sul-Americano Juvenil/Junior, a ser realizado na Colômbia, envolvendo todas as modalidades aquáticas, está confirmado e com todos os procedimentos sendo tomados para este fim. O corpo técnico e administrativo da entidade esteve reunido durante o dia de hoje, 6/04, com o administrador para traçar uma rotina de trabalho que garanta o funcionamento da Confederação.

A administração da CBDA forneceu todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades policiais e aguarda mais instruções do departamento jurídico.

Tudo o que sabemos sobre:

Operação Águas Claras

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: