Justiça barra precatório de R$ 768 mi da reforma agrária no Pará

Justiça barra precatório de R$ 768 mi da reforma agrária no Pará

Decisão unânime da 3.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região acolhe ofensiva do Incra e da Advocacia-Geral da União contra decisão de primeira instância que beneficiava antigos proprietários de área desapropriada em 1999 em Santana do Araguaia, a 1.060 quilômetros de Belém

Pepita Ortega

03 de setembro de 2019 | 14h29

Santana do Araguaia. Foto: Google Maps

A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve na Justiça o cancelamento de precatórios de desapropriação de fazendas localizadas no município de Santana do Araguaia (PA), evitando o ‘pagamento indevido’ de mais de R$ 768 milhões. A AGU atuou no âmbito de execução provisória de terras desapropriadas para fins de reforma agrária em 1999.

As informações foram divulgadas pela Assessoria de Comunicação da Advocacia-Geral da União.

Santana do Araguaia, com cerca de 70 mil habitantes, fica no sudeste do Pará, a 1.060 quilômetros de Belém.

O valor pleiteado pelos antigos donos da terra era de R$ 1,5 bilhão – o que foi questionado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) por meio de pedido de impugnação.

O juízo de primeira instância entendeu pela expedição de precatório de R$ 768 milhões, ‘considerando o valor incontroverso’.

Mas a Procuradoria-Regional Federal da 1.ª Região (PRF-1) e a Procuradoria Federal Especializada junto ao Incra (PFE/Incra) questionaram a decisão em recurso.

As unidades da AGU apontaram que a ordem judicial era nula, porque: ‘não houve a intervenção obrigatória do Ministério Público no processo, não houve análise de impugnação apresentada e não caberia execução provisória contra a Fazenda Pública diante da ausência de trânsito em julgado da ação de conhecimento’.

A AGU advertiu, ainda, que não havia qualquer parcela incontroversa a legitimar o cumprimento provisório da sentença, uma vez que está pendente de julgamento recurso – Resp nº 1.692.051 – interposto pelo Incra no qual são discutidos os parâmetros temporais para avaliação do imóvel, dedução do passivo ambiental, aplicação do fator de ancianidade da posse, área a ser indenizada, prazo de resgate dos títulos e juros compensatórios.

“Ou seja, ainda paira incerteza sobre a própria existência de complementação da indenização”, assinala a AGU.

Por unanimidade, a 3.ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) acolheu os argumentos da AGU e deu provimento ao recurso interposto pelo Incra, suspendendo o pagamento dos precatórios.

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