Justiça afasta prefeito de Não-Me-Toque por exigir ‘favores sexuais’ de servidoras

Justiça afasta prefeito de Não-Me-Toque por exigir ‘favores sexuais’ de servidoras

Armando Carlos Roos (PP) deixou administração do município de 17 mil habitantes a 282 quilômetros de Porto Alegre e foi substituído nesta terça-feira, 17, pelo vice Pedro Paulo Falcão da Rosa

Luiz Vassallo e Julia Affonso

18 de julho de 2018 | 10h51

Armando Carlos Roos. Foto: Prefeitura de Não Me Toque

O vice-prefeito de Não-Me-Toque, Pedro Paulo Falcão da Rosa (PP), assumiu nesta terça-feira, 17, a cadeira de chefe do executivo do pequeno município de 17 mil habitantes situado na região noroeste do Rio Grande do Sul, a 282 quilômetros da capital Porto Alegre. Rosa assumiu o cargo no lugar do prefeito Armando Carlos Roos (PP), afastado por ordem judicial sob acusação de assédio sexual contra servidoras.

O afastamento foi ordenado sexta-feira, 13, pelo juiz Márcio Cesar Sfredo Monteiro, que atendeu a pedido do Ministério Público. A medida vale pelo menos até o encerramento da instrução de ação de improbidade administrativa movida contra o político.

Segundo a Promotoria, Roos teria praticado ‘atos que atentam contra a moralidade administrativa, valendo-se de sua condição para constranger pelo menos duas servidoras a fim de obter favores sexuais’.

Os crimes teriam ocorrido no primeiro semestre do ano passado, informou o site do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul – Processo nº 11800007032 (Comarca de Não-Me-Toque).

No despacho, o Juiz da Vara Judicial da Comarca de Não-Me-Toque justifica o afastamento do prefeito pelo risco às investigações e ao andamento regular do processo. “A prova até agora produzida nos autos revelou que o requerido (Roos) aparentemente não poupa esforços e recursos públicos para retaliar a conduta de servidores que buscam a responsabilização do prefeito por seus atos, tanto vítimas quanto eventuais testemunhas.”

Segundo a decisão judicial, duas servidoras que denunciaram o assédio sofreram retaliações, como transferência de posto, perda de gratificações e, uma delas, a exoneração. Elas também se queixam de ameaças e perseguições.

Na segnda-feira, 16, a Câmara de Não-Me-Toque acatou a ordem da Justiça e afastou Armando Roos.

Segundo a investigação, uma das denunciantes trabalhava em cargo comissionado na prefeitura. Ela disse que em troca da vaga o prefeito teria exigido ‘favores sexuais’. Ela gravou em vídeo uma conversa com o prefeito que a teria convidado para ir até seu apartamento.

COM A PALAVRA, O PREFEITO AFASTADO ARMANDO CARLOS ROOS

A reportagem fez contato com a prefeitura de Não-Me Toque em busca de manifestação do prefeito afastado Armando Carlos Roos. O espaço está aberto para manifestação.

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