Justiça afasta prefeito de Iporã e procuradora do município e bloqueia R$ 12,4 mi

Justiça afasta prefeito de Iporã e procuradora do município e bloqueia R$ 12,4 mi

Roberto da Silva (PSDB), o Robertinho, e Rosana Flôres dos Santos Wada, procuradora do município paranaense localizado a 623 quilômetros de Curitiba, são investigados pela Promotoria por improbidade administrativa

Pedro Prata

30 de janeiro de 2020 | 16h57

Atualizado às 9h11 de 31.01 com posicionamento da defesa*

A Justiça de Iporã, município paranaense com menos de 14 mil habitantes a 623 kms de Curitiba, afastou do cargo por seis meses o prefeito Roberto da Silva (PSDB), o Robertinho, e a procuradora do município Rosana Flôres dos Santos Wada a pedido da Promotoria de Justiça do Estado em processo de improbidade administrativa.

Foto: TSE/Reprodução

Segundo o Ministério Público – Autos nº 0003188-28.2019.8.16.0094 – a decisão liminar também decretou o bloqueio de bens no valor de R$ 12.478.282,79 do prefeito, da procuradora e, ainda, de dois ex-secretários (Finanças e Licitações), de sete pessoas físicas e uma pessoa jurídica.

O tucano já está afastado do cargo desde outubro do ano passado quando foi alvo da Operação Cleptocracia que investiga corrupção passiva, falsidade ideológica, peculato e fraude a licitações.

As investigações apontam que o grupo fraudava procedimentos licitatórios em benefício de empresas em nome de ‘laranjas’ e que, na realidade, pertenciam a Robertinho e seus familiares.

Os fatos teriam se iniciado ainda em 2015.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE IPORÃ, O PREFEITO E A PROCURADORA

“Diante de novo pedido, o Ministério Público Paraná (MPPR) e o Juízo de Iporã, entendeu por bem determinar o afastamento do cargo, na esfera cível, do prefeito Roberto da Silva (PSDB) e de outra servidora, do município pelo prazo de 180 dias, assim como a determinação de bloqueio de bens dos dois agentes públicos, de dois ex-secretários (de Finanças e de Licitações), de sete pessoas físicas e uma pessoa jurídica, TEMOS A ESCLARECER:

– É evidente a perseguição por parte do MP em relação à administração do prefeito Roberto Silva, assim como integrantes da sua equipe, visando unicamente a desmoralização do trabalho que vem sendo desenvolvido. Prova cabal disso é que MESMO ANTES DE PROCESSOS EM TRÂMITE SEREM DISPONIBILIZADOS PARA OS ADVOGADOS É DIVULGADO PARA IMPRENSA, INCLUSIVE ANTES MESMO DE LIBERAR EVENTUAL SEGREDO DE JUSTIÇA;

– Também destacamos que FORAM UTILIZADOS MÉTODOS DE LEGALIDADE DUVIDOSA, os quais estão questionados e poderá levar à nulidade de todos os processos, como escutas telefônicas e quebra de sigilo bancários e telemáticos, por um período de mais de dois anos, sem atenção às prerrogativas do prefeito, o que demonstra esta perseguição;

– Em relação às irregularidades licitatórias e supostas empresas contratadas para realização das obras apontadas pelo MP, reforçamos QUE TODAS AS OBRAS FORAM EXECUTADAS E EM CONFORMIDADE COM AS NORMAS VIGENTES E COM AVAL DO CORPO TÉCNICO DA PREFEITURA E DAS INSTITUIÇÕES CONCEDENTES, COMO A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL ETC… O MP sequer fez estas verificações para apresentar as acusações;

– Ressaltamos ainda que esta perseguição implacável ao administrador da cidade de Iporã gera prejuízos incontáveis à população do município, como por exemplo, o impedimento da conclusão de um empreendimento que vai gerar milhares de empregos, que já deveria estar em funcionamento;

– Por fim, ressaltamos a boa fé e a legalidade dos atos praticados pela administração e destacamos que CONTESTAREMOS JUDICIALMENTE COM AS MEDIDAS APROPRIADAS que o caso requer, para derrubar o bloqueio de bens determinados, bem como para o retorno do prefeito que, mesmo já estando afastado desde outubro do ano passado, foi afastado mais uma vez de forma precipitada e irregular.”

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