Médicos do INSS sob suspeita de fraude do registro de ponto

Investigação surgiu após cartas anônimas à Polícia Federal e à Procuradoria da República apontando ausência de profissionais nos horários de trabalho

Redação

24 de junho de 2015 | 04h00

Por Isabela Bonfim, especial para o Blog

Três médicos peritos que trabalham no posto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) de Araraquara (SP) foram afastados nesta terça-feira 23. A determinação é da Justiça Federal de São Paulo, que também proibiu outro médico, este aposentado, de entrar no prédio da Previdência naquela cidade.

Eles são acusados de fraudar o sistema de ponto e, por consequência, não cumprir a jornada diária de trabalho. O afastamento é para que não haja ‘perturbação no avanço das investigações durante o inquérito policial’.

A assessoria de Comunicação Social do INSS em São Paulo divulgou nota de esclarecimento afirmando que o Instituto vai colaborar com as investigações. “A Superintendência Regional do INSS em São Paulo informa que as investigações ainda estão em curso e que o Instituto aguarda mais informações da Polícia Federal. O INSS está colaborando com as apurações que forem necessárias”, diz a nota.

As apurações começaram após duas cartas anônimas idênticas chegarem à Polícia Federal (PF) e ao Ministério Público Federal (MPF). O controle de frequência dos servidores é realizado de forma eletrônica com senha pessoal, mas de acordo com as denúncias, o registro não era feito pelos próprios profissionais, que estariam trabalhando no mesmo horário em outros lugares.

Segundo a Polícia Federal, que analisou os relatórios de frequência e comparou com filmagens internas, havia um revezamento dos médicos para bater o ponto.

“Os elementos reunidos até este momento trazem consistentes indícios da prática de infrações penais pelos investigados”, afirmou o juízo da 1ª Vara Federal em Araraquara.

Como parte das investigações, serão realizadas buscas de objetos e documentos que possam estar relacionados aos fatos. A Justiça também expediu mandados de busca e apreensão nos endereços em que os médicos estariam prestando atendimento nos horários em que deveriam estar no INSS, segundo relatório de ponto. O processo corre em segredo de Justiça.

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