Justiça afasta Lili, prefeita de Araçariguama que deixava o marido governar

Justiça afasta Lili, prefeita de Araçariguama que deixava o marido governar

Liliana Aymar (PDT) deverá ficar até seis meses fora da administração do município do interior de São Paulo após o cônjuge, Carlos Bechara, ser preso em flagrante pedindo R$ 2 milhões em propina para liberar alvará

Pedro Prata

21 de outubro de 2019 | 12h07

O juiz Roge Naim Tenn, da 1.ª Vara Cível de São Roque (SP), afastou a prefeita de Araçariguama, Liliana Aymar Bechara (PDT), a Lili. O magistrado acolheu pedido liminar do Ministério Público após o marido dela, Carlos Bechara, ser preso em flagrante por supostamente exigir R$ 2 milhões de uma empresária em troca de um alvará. A Promotoria pediu à Justiça a condenação de ambos por improbidade administrativa.

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Araçariguama, com cerca de 23 mil habitantes, fica a 54 quilômetros da capital paulista.

Apesar de Lili ser a prefeita, seria Carlos quem tomava todas as decisões na gestão municipal, acusa o Ministério Público.

Testemunhas afirmaram que Carlos era quem comandava a prefeitura, embora a mulher fosse a prefeita. Foto: MP-SP/Divulgação

“O corréu tem publicado inúmeros conteúdos em sua página social em que se verifica expressamente a prática de atos de gestão administrativa municipal, muitos deles nas dependências da Prefeitura, utilizando-se, portanto, de recursos públicos municipais”, sustenta a ação.

Carlos Bechara já foi condenado em outra ação por improbidade, ficando inelegível até 2030.

Lili era a prefeita oficialmente, mas o Ministério Público afirma que seu marido Carlos era quem tomava todas as decisões na gestão municipal. Foto: Prefeitura de Araçariguama/Divulgação

Por isso, o Ministério Público estadual havia expedido recomendação administrativa à Liliana para que ‘doravante, sob pena de incorrer na prática de ato de improbidade administrativa se abstenha de permitir que seu esposo pratique qualquer ato de gestão do Município ou aja como representante deste sem que ocupe qualquer cargo público que o habilite a tanto, seja conduzindo reuniões, estabelecendo tratativas com fornecedores ou autoridades públicas, prolatando ordens a servidores públicos, etc., seja participando de eventos oficiais e discursando em nome da administração municipal’.

Segundo a Promotoria, as redes sociais de Carlos Bechara estavam repletas de registros de inaugurações de prédios públicos e reuniões com deputados estaduais e federais, nos quais ele dizia estar pedindo investimentos no município.

Carlos Bechara fazia visitas a parlamentares, a fim de obter recursos para a prefeitura. Foto: MP-SP/Reprodução

Testemunhas ouvidas pelo Ministério Público disseram que Bechara era ‘o prefeito na prática’, como mostra o depoimento do segurança particular Enoque da Silva, que trabalhou para o casal.

“Carlos está sempre na Prefeitura e é quem efetivamente se apresenta como Prefeito Municipal, seja em público, em inaugurações, shows, etc. Lili não aparece.”

Enoque ainda acusa os Bechara de colocar parentes em cargos da administração municipal. “Como conviveu com a família certo tempo, sabe que a intenção de Carlos era colocar Lili na Prefeitura para que ele exercesse as funções de prefeito. Inclusive ouvia discussões na casa quando Lili não falava, em palanque, o que o marido queria.”

Outra testemunha, Emerson Prado Pazotti, falou que Bechara contratava e demitia funcionários.

“As perseguições a que se refere se dirigem principalmente a funcionários públicos da prefeitura, que se não fazem o que ele quer são colocados no ‘banquinho’, ou seja, são afastados de suas funções para não fazerem nada, até que ele resolva exonerá-los ou colocá-los em funções em locais longínquos e efetuando funções diversas das que foram contratados.”

De acordo com a Promotoria, Carlos Bechara era quem negociava com a vítima, fazendo exigências. O ex-prefeito foi detido na sala que mantinha no interior da Prefeitura de Araçariguama, de onde encabeçava as negociações. A sua prisão foi um dos elementos levados em consideração pela Justiça ao conceder a liminar.

COM A PALAVRA, LILI E CARLOS BECHARA

A reportagem busca contato com a prefeita afastada de Araçariguama e seu marido. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE ARAÇARIGUAMA

A reportagem fez contato, por email, com a prefeitura de Araçariguama. Espaço aberto.

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