Justiça abre ação contra oficiais da PM do Maranhão por ‘espionagem eleitoral’

Justiça abre ação contra oficiais da PM do Maranhão por ‘espionagem eleitoral’

Coronel e major da Polícia Militar são acusados pelo Ministério Público de montarem esquema de arapongagem que teria atingido adversários do governador Flávio Dino (PC do B) na campanha de 2018

Luiz Vassalo e Ricardo Galhardo

11 de outubro de 2019 | 20h29

A Justiça do Maranhão abriu ação penal contra o coronel da Polícia Militar Heron Santos e o major PM Antonio Carlos Araújo Castro por suposta espionagem eleitoral na campanha de 2018. A arapongagem teria atingido adversários do governador Flávio Dino (PC do B), então candidato à reeleição.

A acusação formal da Promotoria Militar foi recebida pelo juiz Nelson Melo de Moraes Rêgo, titular da Auditoria Militar do Estado.

O governador não foi investigado e nem é citado pelo Ministério Público Militar.

As informações sobre a denúncia da Promotoria foram divulgadas no site da Revista Cruzoé e confirmadas pela reportagem do Estadão.

Uma sindicância interna da PM já havia responsabilizado o coronel.

O promotor Clodomir Lima Neto, da Justiça Militar de São Luís, sustenta na acusação que o coronel Heron foi ‘informalmente convidado’ pelo coronel Jorge Loungo, então comandante da corporação, para executar o planejamento ‘Operação Eleições’.

Reprodução

O Ministério Público atribui aos militares (coronel Heron e major Antônio Carlos) violação aos artigos 169 e 311 do Código Penal Militar.

O artigo 169 prevê que é crime ‘deteminar o comandante, sem ordem superior e fora dos casos em que essa se dispensa, movimento de tropa ou ação militar’.

O 311 enquadra quem promove falsificação de documento público ou particular.

Segundo a acusação da Promotoria, ‘entre março e abril de 2018, o denunciado (Heron), sem qualquer ordem formal superior, determinou a Operação Eleitoral’. A ação compreendeu uma planilha denominada ‘levantamento eleitoral’, em que comandantes de área receberam a missão de mapear as lideranças que faziam oposição aos governos locais – prefeitos, deputados e vereadores – e ao governo do Estado.

O alvo da arapongagem seriam os políticos que poderiam ‘provocar embaraços no pleito eleitoral’.

O promotor acusa o major Antônio Carlos de ser o responsável pela elaboração de ofício circular e nele inserir a assinatura digital de um outro coroonel, Antônio Markus da Silva Lima, um dos comandantes de policiamento.

COM A PALAVRA, OS OFICIAIS

A reportagem tenta contato com os militares denunciados. O espaço está aberto.

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