Juros baixos estimulam o saudável hábito de poupar

Juros baixos estimulam o saudável hábito de poupar

Leandro Benincá*

12 de novembro de 2019 | 06h30

Leandro Benincá. Foto: Divulgação

Com a queda dos juros, os brasileiros que têm recursos para fazer aplicações financeiras estão descobrindo uma nova realidade: o rendimento REAL do dinheiro.

Até pouco tempo atrás, as pessoas estavam acostumadas à “alta rentabilidade” dos seus investimentos sem perceberem que, na maioria dos casos, seu rendimento estava apenas empatando (ou até perdendo) para a inflação oficial, medida pelo IPCA.

Trocando em miúdos, o investidor sorria ao ver números como 14 ou até 20 por cento de rentabilidade, sem se dar conta de que a inflação do mesmo período praticamente empatava com esses números, não representando nenhum ganho real.

No nosso novo cenário, os tais “investimentos passivos” não têm mais lugar. E esta é a maior das oportunidades: quem ainda não poupa precisa criar este saudável hábito.

O primeiro passo, e talvez o mais importante, é arrumar a casa: organizar o próprio orçamento, descobrir quanto se ganha e quanto se gasta por mês e realmente entender o caminho que o dinheiro anda percorrendo na sua vida.

Parece algo simplório demais, e poucos acreditam. Mas, o simples hábito de se anotar todas as suas receitas e despesas, mês a mês, já opera milagres nas finanças. Não se pode controlar o que não se conhece. E aí, sim, com as finanças organizadas, fica mais fácil de se reservar uma quantia, mesmo que pequena, para o seu próprio futuro. Não é difícil e não requer muitas horas de dedicação. O “segredo” é fazer um pouquinho do que é certo todos os dias por bastante tempo.

Prometo que é possível, com paciência e sem ansiedade, construir uma poupança para realizar os sonhos e uma aposentadoria digna e tranquila. Aliás, esse “segredo” pode valer para tudo na vida, mas esta é outra história…

O importante aqui é analisarmos as melhores opções de investimento para estes novos tempos de juros baixos, conforme as características e necessidades de cada um. Simplesmente NÃO EXISTE uma fórmula de investimentos que sirva para todas as pessoas. Por favor, esqueça isso.

Começando pela constatação de que a “queridinha” Caderneta de Poupança é, mais do que nunca, sinal de prejuízo. Poucos sabem disso, mas, por lei, a Poupança paga 70% da taxa Selic. Hoje, descontando a inflação, isso já representa juro negativo.

Para quem tem um perfil de investimento mais conservador, quer substituir a Caderneta de Poupança e pode precisar do dinheiro disponível a qualquer momento (a chamada “liquidez imediata”), boas opções são os investimentos de renda fixa com liquidez diária.

Existem excelentes CDB’s e Fundos DI, com investimentos a partir de 500 reais, e o já famoso Tesouro Selic – que é uma “porta de entrada” para muitos novos investidores, com investimentos mínimos na casa de 100 reais – todos com liquidez diária e ótima segurança.

Para quem ainda é muito conservador, mas pode abrir mão da liquidez e esperar um pouco mais para resgatar seus investimentos, existem os títulos de mais longo prazo, tanto de CDB’s, como no programa Tesouro Direto, e uma infinidade de fundos de renda fixa, com investimentos mínimos que vão de menos de 100, até 5.000 reais.

Boas opções para quem tem perfil moderado (aceitam um pouco mais de volatilidade e tem mais prazo para resgatar seu dinheiro) podem ser os títulos de mais longo prazo, e também as debêntures – títulos de dívidas de empresas privadas.
Nesta hora é importante ter uma boa conversa com o seu assessor de investimentos, para buscar organizações com bons índices de confiança (o chamado “rating”) – que indica a capacidade da empresa de honrar os compromissos. Em todas essas alternativas, é possível investir a partir de mil reais.

Para os investidores com perfil mais agressivo – que desejam buscar mais rentabilidade e aceitam ainda mais prazo e volatilidade nos investimentos – existe o mercado de ações, que não para de crescer no Brasil.

Para os iniciantes, a porta de entrada pode estar nos fundos de ações, onde um gestor especializado tomará as decisões de onde investir o seu dinheiro, ou nos ETFs, que são fundos passivos, que replicam um índice de mercado.

Já os investidores mais experientes, claro, sempre contam com a opção de montarem suas próprias carteiras de ações, escolhendo as empresas com as quais mais se identificam e acreditam para o futuro.

E por último, mas não menos importante, existem os “novos queridinhos” de muitos investidores: os FII – Fundos de Investimento Imobiliários.

Também negociados em bolsa, os FII’s são uma maneira diversificada e acessível de se investir em empreendimentos imobiliários, que vão de lajes corporativas a hospitais, shopping centers e até silos agrícolas!

Opções não faltam, para quem quer começar a investir melhor e garantir seu futuro, e desculpas também não faltam, para aqueles que fogem desta responsabilidade.

A despeito da classificação didática dos perfis conservador, moderado e agressivo, o mais indicado, sempre é a diversificação dos investimentos.
Sua vó já dizia para “não colocar todos os ovos em uma cesta só” – e nos investimentos essa é a mais pura verdade.

Com o hábito de poupar e guardar uma parte da renda (um pouquinho do que é certo, todos os dias, por um tempão) e uma boa assessoria de investimentos para ajudar a escolher a melhor carteira para o seu perfil, o futuro, pelo menos na parte financeira, é bem menos incerto!

*Leandro Benincá é educador financeiro, palestrante, e responsável pela Área de Educação Financeira da Messem

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