Junta Lobão, Henrique Alves e Eduardo Cunha a gente não pode dizer não, né?, afirma Cerveró

Assista ao depoimento em que Cerveró detalha a polêmica negociação para a compra da refinaria de Manguinhos pela BR Distribuidora

Gustavo Aguiar, de Brasília, Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Julia Affonso

07 de junho de 2016 | 04h30

Edison Lobão, à esquerda, e Eduardo Cunha. Fotos: Estadão

Edison Lobão, à esquerda, e Eduardo Cunha. Fotos: Estadão

Ao detalhar a polêmica compra da refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, pela BR Distribuidora, o ex-diretor da Petrobrás e da BR Distribuidora e delator da Lava Jato Nestor Cerveró  contou que a diretoria da BR foi pressionada em 2013 pelo senador Edison Lobão, e os deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves (atualmente ministro do Turismo), todos do PMDB para adquirir a refinaria.

Henrique Eduardo Alves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Henrique Eduardo Alves. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Indagado pelos investigadores da Lava Jato o que motivou a pressão dos parlamentares, Cerveró foi direto ao ponto: “por motivo prosaico, de recebimento do negócio, recebimento de propina”, afirmou.

O DEPOIMENTO DE CERVERÓ SOBRE A COMPRA DE MANGUINHOS:

Uma das mais antigas refinarias, Manguinhos foi privatizada em 1998, no governo Fernando Henrique Cardoso. A argentina YPF assumiu seu controle acionário. Um ano depois, a YPF foi comprada pela Repsol, que em Manguinhos dividiu o controle com o Grupo Peixoto de Castro. Envolta em problemas financeiros, a refinaria foi comprada pelo Grupo Andrade Magro, em 2008 – negócio que envolveu um assessor do ex-ministro José Dirceu, o jornalista Marcelo Sereno.

Já investigado no escândalo Waldomiro Diniz, de contratos da Caixa no primeiro ano de governo Luiz Inácio Lula da Silva, e com o nome citado no mensalão, Sereno entrou com sócio da Grandiflorum Participações, holding criada para controladora de Manguinhos, ligada ao grupo Andrade Magro.

Cerveró afirma em sua delação premiada que sabe que Eduardo Cunha e Henrique Alves tinham feito algum negócio com um grupo ligado a Marcelo Sereno, e queriam resolver por intermédio da Petrobrás”.

COM A PALAVRA, EDUARDO CUNHA:

“Segundo o que está escrito, ele não está delatando e sim falando que ouviu dizer, o que é um verdadeiro absurdo. Desminto com veemência o conteúdo, a forma e acuso a irresponsabilidade de “na base do ouvir dizer “, o fuxico virar um fato incluído em delação.”

COM A PALAVRA, O MINISTRO DO TURISMO, HENRIQUE EDUARDO ALVES:

Por meio de nota, via assessoria de imprensa, o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, negou envolvimento no caso.

“Nunca tratei desse assunto em qualquer instância da Administração Pública. Nunca ouvi esse assunto sequer ser tratado por ninguém. Desconheço qualquer assunto igualmente com o sr. Marcelo Sereno. Nunca estive com o deputado Eduardo Cunha na BR Distribuidora.”

COM A PALAVRA, EDISON LOBÃO:

O senador Edison Lobão divulgou nota, por meio de sua defesa.

“A propósito da delação que envolve seu nome, o Senador Edison Lobão nega com veemência qualquer atuação para a compra da Refinaria de Manguinhos. O Senador não tem qualquer tipo de relação com Marcelo Sereno ou Grupo Magro. A defesa do Senador tem reiteradamente alertado sobre a inconsistência em se admitir depoimentos de ‘ouvir dizer’ como elementos de prova para embasar acusações. Em razão disso, a palavra do delator é cada vez mais desacreditada, não apenas diante da fragilidade factual de tais narrativas, mas principalmente porque o próprio delator afirma que não presenciou os fatos que ele próprio aponta.”

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