Julieta, da roça, 78, analfabeta, ganha, enfim, sua aposentadoria rural

Julieta, da roça, 78, analfabeta, ganha, enfim, sua aposentadoria rural

Benefício, que poderia estar sendo pago há 23 anos, foi concedido por ordem judicial na 2.ª edição do Programa Acelerar-Núcleo Previdenciário

Redação

31 de maio de 2015 | 06h30

Julieta Maria dos Santos. Fotos: Aline Caê

Julieta Maria dos Santos. Fotos: Aline Caê

Por Julia Affonso

A dona de casa Julieta Maria dos Santos, de 78 anos, conseguiu sua aposentadoria rural por idade na terça-feira, 26, na 2ª edição do Programa Acelerar-Núcleo Previdenciário, em São Miguel do Araguaia, interior de Goiás. O benefício, no entanto, já poderia estar sendo recebido por ela há 23 anos.

Julieta, analfabeta, contou para o juiz Everton Pereira Santos que pleiteou a aposentadoria apenas em 2007, quando deu entrada na papelada solicitando pensão por morte de seu marido, vítima de blastomicose, doença que ataca o pulmão. No entanto, ela requereu somente o segundo benefício, que levou mais de seis anos para ser concedido.

O atual advogado, Ciro Alexandre Soubhia, explicou que antigamente as pessoas não pleiteavam certos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por falta de conhecimento de seus direitos e também pela dificuldade na apresentação da prova documental.

Julieta vai receber um salário mínimo e parcelas vencidas a partir da data do requerimento administrativo, ocorrido em fevereiro de 2014. As informações estão no site do Tribunal de Justiça de Goiás.

“Hoje, na Justiça, as coisas estão bem mais fáceis, a prova documental é complementada pelas testemunhas”, observou o advogado.

Planos. A dona de casa contou que nasceu e foi criada em fazenda. Ela teve sete filhos, dois já morreram.

Feliz com o benefício, a dona de casa disse que “essa ajuda veio em boa hora” e vai auxiliá-la nas despesas da casa e na compra de remédios que toma diariamente para pressão e depressão. Segundo ela, a depressão “é muito ruim, pois a deixa sem coragem e com vontade de não fazer nada”.

Eis o cotidiano de Juliata. “Não tenho mais ânimo nem para fazer os doces e bolos que fazia. A minha vontade é só de ficar quietinha. Às vezes assisto à televisão e logo vou para o meu quarto”, relata. “Nasci e me criei na roça. Lá também criei meus filhos, enquanto ajudava o meu marido.”

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