Juliane, presente!

Juliane, presente!

Rodrigo Merli*

09 de agosto de 2018 | 18h11

Rodrigo Merli Antunes. FOTO: DIVULGAÇÃO

Meses atrás, após o assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, notei uma enorme comoção por parte da grande mídia, de políticos, artistas, instituições e ONGs de direitos humanos.

Não que tenham errado em repercutir a sobredita barbárie, é claro! Entretanto, o que me chama a atenção é que, nos últimos dias, com a morte da policial militar Juliane dos Santos, a preocupação daqueles citados acima não chegou nem perto do que vimos em março passado.

E olhem que existem semelhanças entre essas duas vítimas, sendo ambas de origem humilde, negras e também homossexuais.

Mas, refletindo sobre o assunto, percebi que isso tudo não interessa para alguns ‘intelectuais’ de alguns meios de comunicação e de parte da sociedade civil organizada, sendo mais importante para eles a ideologia e a militância da pessoa morta.

Mesmo que o falecido tenha algumas das características dos grupos tidos por marginalizados, é fato que, se não fazia ativismo em prol desses coletivos, fatalmente será esquecido.

E, no caso de Juliane, além dela não ter sido uma ativista progressista, teve o azar de ser também policial militar. Pronto! É o que basta para ser achincalhada, mesmo depois de morta.

Alguns jornais chegaram ao cúmulo de insinuarem que ela, antes de morrer, teve o seu primeiro dia de férias com ‘muita cerveja, pegação e dança’. Como se isso retirasse a responsabilidade dos criminosos, e como se não fossem esses mesmos periódicos aqueles a defenderem, abertamente, a legalização das drogas, o homossexualismo e outras coisas mais.

Hipócritas! É isso que essa gente é! Como dito, Juliane era policial militar e somente por isso é que não está tendo o mesmo tratamento de Marielle.

No Brasil, a vida não tem valor intrínseco.

Infelizmente, esse valor depende das pautas defendidas pelo morto.

Mas, se muitos não querem homenagear Juliane, eu assim o faço. Não propriamente por suas opções sexuais e eventuais hábitos festivos, mas, justamente, por ter escolhido arriscar a vida em prol de qualquer um.

Como dizia Charles Chaplin, atender a quem te chama já é belo. Mas, lutar até mesmo por quem te rejeita, é quase a perfeição.

Por isso: Juliane, presente!

*Rodrigo Merli Antunes
Promotor de Justiça do Tribunal do Júri de Guarulhos
Pós graduado em Direito Processual Penal
Autor de artigos e obras jurídicas

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.