Juízes para a Democracia aumentam fila que cobra de Maia análise dos mais de 50 pedidos de impeachment de Bolsonaro

Juízes para a Democracia aumentam fila que cobra de Maia análise dos mais de 50 pedidos de impeachment de Bolsonaro

Pressão sobre o presidente da Câmara dos Deputados aumenta na reta final do mandato; associação atribui a Maia 'omissão injustificável'

Rayssa Motta e Fausto Macedo

29 de janeiro de 2021 | 19h19

Em seus últimos dias como presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) encara a escalada da pressão para analisar os mais de 50 pedidos de impeachment apresentados contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O apelo mais recente partiu da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Na terça-feira, 26, a presidente da entidade, Valdete Souto, formalizou requerimento em que atribui a Maia ‘omissão injustificável’.

Documento

“Se o Presidente da República está em pleno “exercício nocivo do poder”, em prejuízo de toda a população, colocando suas vidas em risco, é preciso que os membros do Poder Legislativo, em especial o Presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, cumpra seu dever de garantir a efetividade das sanções políticas a que ele está sujeito, sob a pena de descumprimento dos seus deveres do cargo”, diz um trecho do documento.

Para a associação, ao ignorar os pedidos, Rodrigo Maia pode incorrer em crime de prevaricação e de ato de improbidade administrativa.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

Em meados de janeiro, Maia afirmou que o impeachment de Bolsonaro é um tema que será debatido ‘de forma inevitável’ pelo Congresso no futuro. Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, o presidente da Câmara voltou, entretanto, a repetir o discurso de que o mais urgente é discutir o combate à pandemia.

Embora Maia transfira a responsabilidade ao sucessor, a chance de abertura de um eventual processo para cassar o mandato do presidente depende, em boa parte, do resultado da eleição interna marcada para a próxima segunda-feira, 1º. A corrida está sendo disputada voto a voto. Apesar da formação dos blocos que, na teoria, colocam Baleia Rossi (MDB-SP) como favorito, há dissidência dentro dos partidos, para os dois lados. Com isso, o candidato do governo, Arthur Lira (Progressistas-AL), lidera a corrida pelo cargo (veja o placar feito pelo Estadão), o que pode dificultar a análise dos pedidos.

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