Juíza rejeita ação por ‘nunca vou recusar coito do meu veterano’ no trote da universidade

Juíza rejeita ação por ‘nunca vou recusar coito do meu veterano’ no trote da universidade

Adriana Gatto Bonemer, da 3.ª Vara Cível de Franca (SP), diz, em sentença, que 'o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos'

Levy Teles, especial para o Estado

08 de novembro de 2019 | 07h23

Calouras da Unifran tiveram que recitar juramento: ‘Compreendo que namoro não combina com faculdade e a partir de hoje sou solteira, estou à disposição dos meus veteranos’. Foto: Unifran/Divulgação

A juíza Adriana Gatto Martins Bonemer, da 3.ª Vara Cível de Franca (SP), criticou o feminismo ao declarar improcedente uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo contra um ex-universitário que provocou calouras de medicina da Universidade de Franca (Unifran) a fazerem um juramento sexista durante um trote. O processo pede uma indenização no valor de R$ 39.920.

“A inicial retrata bem a panfletagem feminista, recheada de chavões que dominam, além da esfera cultural, as universidades brasileiras. É bom ressaltar que o movimento feminista apenas colaborou para a degradação moral que vivemos”, afirma a juíza na sentença.

Adriana Bonemer ainda cita a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL-SC), para falar de uma ‘degradação moral’ causada pelo feminismo.

Para o Ministério Público de São Paulo, Matheus Gabriel Braia usou no trote ‘expressões de conteúdo machista, misógino, sexista e pornográfico, expondo-as à situação humilhante e opressora e ofendendo a dignidade das mulheres ao reforçar padrões perpetuadores das desigualdades de gênero e da violência contra as mulheres‘.

O caso ocorreu em fevereiro deste ano.

As calouras da Unifran recitaram no juramento.

‘Compreendo que namoro não combina com faculdade e a partir de hoje sou solteira, estou à disposição dos meus veteranos.’

‘Juro solenemente nunca recusar a uma tentativa de coito de veterano.’

Braia disse ter sido convidado para o evento por ser ex-aluno da universidade e ex-integrante da Atlética do curso de Medicina.

DEFESA

O advogado de Matheus Braia, Carlos Constantino, afirma que as pessoas envolvidas no trote faziam parte de uma brincadeira de mau gosto.

“Eu disse na contestação da ação que, embora fosse algo de mau gosto, infeliz, tudo não passou de uma brincadeira”, pondera Constantino.

Ainda na contestação, a defesa sustenta que ‘os direitos tratados nos autos à imagem e à honra são individuais homogêneos, podendo os seus titulares buscar satisfação perante à Justiça individualmente ou em ação coletiva’.

Segundo o entendimento do advogado, isso torna o Ministério Público como ‘parte ilegítima para a proposição da ação’.

UNIFRAN

A Universidade de Franca, em nota, diz que o processo contra a instituição foi arquivado e reforça que veda expressamente a prática de trotes – com exceção dos solidários – e que continua com ‘as ações preventivas de conscientização’.

À época do trote, a Associação Atlética Acadêmica Doutor Ismael Alonso Y Alonso, o Centro Acadêmico Tomás Novelino e o Núcleo de Apoio Escutamos, Lutamos e Acolhemos da Unifran condenaram o ato.

As entidades alegaram não ser responsáveis e nem participar da organização do trote e propuseram reformular o juramento durante o ato.

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