Juíza que deflagrou Águas Claras vê ‘organização criminosa estruturada’

Juíza que deflagrou Águas Claras vê ‘organização criminosa estruturada’

Ao decretar a prisão da cúpula da Confederação Brasileira dos Desportos Aquáticos, Raecler Baldresca, da 3.ª Vara Federal em São Paulo, alerta para necessidade de 'cessar abastecimento financeiro' dos investigados pelo suposto desvio de R$ 40 milhões

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

07 de abril de 2017 | 05h15

Foto: JOSE LUCENA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/PAGOS

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Ao decretar a prisão do primeiro escalão da Confederação Brasileira dos Deportos Aquáticos (CBDA), a juíza federal Raecler Baldresca assinalou que a Operação Águas Claras investiga ‘fatos criminosos sob o manto de uma associação criminosa ou até de uma organização criminosa estruturada e caracterizada por divisão de tarefas’.

Águas Claras foi deflagrada nesta quinta-feira, 6. A Polícia Federal e a Procuradoria da República prenderam em regime preventivo Coaracy Nunes, presidente afastado da Confederação, o diretor Ricardo Cabral (Coordenadoria Técnica de Polo Aquático) e Sergio Ribeiro Lins de Alvarenga (Diretor Financeiro).

O secretário geral de Natação, Ricardo de Moura, está foragido.

Raecler Baldresca autorizou buscas, quebra de sigilo bancário e fiscal e sequestrou até R$ 40 milhões de Coaracy e outros alvos da Águas Claras.

“Necessário ampliar a investigação a fim de se alcançar os limites do grupo e identificar efetivamente a participação de cada um de seus integrantes nas atividades ilícitas”, destacou a magistrada.

Ela apontou para a ‘ausência da prestação de contas e as evidentes irregularidades constatadas na utilização de recursos públicos federais somadas ao fato de que o núcleo principal encontra-se à frente da Confederação há décadas’.

A juíza advertiu, ainda, para a suspeita de que o grupo de Coaracy não se intimidou. “Mesmo após o início das investigações por parte da Polícia Federal e do Ministério Público Federal e ainda após o ajuizamento de ação de improbidade, ainda assim, continuam a lançar mão dos mesmos expedientes ilícitos com que têm atuado nos últimos anos, em verdadeira reiteração criminosa contra a qual é necessário agir neste momento.”
Ao bloquear ativos da organização e mandar prender Coaracy e os outros alvos, Raecler Baldresca apontou para a ‘necessidade de interromper a ação criminosa do grupo e cessar o abastecimento financeiro de suas atividades de modo que a segregação cautelar se impõe como única medida possível para desarticular as operações do grupo e evitar a continuidade da prática delitiva’.

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