Juíza ouve testemunhas em ação contra ex-diretor da Dersa

Juíza ouve testemunhas em ação contra ex-diretor da Dersa

Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal, interrogou o operador Adir Assad, delator da Lava Jato nesta sexta-feira, 15

Julia Affonso

15 de fevereiro de 2019 | 17h39

Paulo Vieira de Souza. Foto: ROBSON FERNANDJES/AE

A juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal, ouviu nesta sexta-feira, 8, testemunhas de acusação em uma ação penal sobre cartel em obras do trecho sul do Rodoanel e também do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Metropolitano. O operador Adir Assad, delator da Operação Lava Jato, foi interrogado e confirmou que foi contratado para cuidar do caixa 2 das construtoras.

Adir declarou que foi o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza quem o apresentou para empresas. O operador contou que era amigo próximo do ex-dirigente da estatal paulista.

A magistrada ouviu também o executivo Alcir Guimarães, ligado à área de planejamento e projetos da Odebrecht. O delator confirmou o cartel e contou que ficou sabendo sobre ‘ajustes’ de cartel por seu chefe Roberto Cumplido – também delator.

Nesta ação penal são réus Paulo Vieira de Souza e o ex-presidente da Empresa Municipal de Urbanização de São Paulo (Emurb) e ex-secretário municipal de Infraestrutura e Obras (2006 e 2010), Marcelo Cardinale Branco.

“O que a gente tem observado, de uma forma clara, é que as testemunhas de todos os fatos têm dado dados precisos, detalhados e uma testemunha confirma o que a outra diz. Os depoimentos estão muito harmônicos”, afirmou o procurador da República Guilherme Göpfert.

Inicialmente, a denúncia acusava 33 investigados por cartel de construtoras, com o aval de agentes públicos lotados nas empresas Dersa (estadual) e Emurb (municipal) e na Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras, entre elas o atual diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Mario Rodrigues Júnior, que foi diretor de engenharia na Dersa entre 2003 e 2007; o ex-secretário de Aviação Civil do Ministério dos Transportes, Dario Rais Lopes, que, na época dos fatos denunciados, foi presidente da Dersa e secretário estadual de transportes. Na Justiça, a pedido do Ministério Público Federal, a denúncia foi desdobrada em 7 ações penais.

Além dos quatro já citados, os demais acusados são 29 executivos e/ou diretores de 14 construtoras: Camargo Correa, OAS, Constran, Construbase, Andrade Gutierrez, Galvão, Queiroz Galvão, Serveng, EIT, SA Paulista, CR Almeida, Delta, Encalso e Paulitec.

O cartel, em atividade pelo menos desde 2004, mediante ajuste prévio firmado entre as construtoras e o poder público, eliminou totalmente a concorrência nas obras do trecho sul do Rodoanel e em sete grandes obras do Programa de Desenvolvimento do Sistema Viário Metropolitano.

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