Juíza manda prender acusados de tentativa de homicídio contra empresário em frente ao Instituto Lula

Juíza manda prender acusados de tentativa de homicídio contra empresário em frente ao Instituto Lula

Débora Faitarone, da 1ª Vara do Juri de São Paulo, decretou a prisão preventiva de Manoel Eduardo Marinho, o ‘Maninho do PT’, e seu filho, Leandro Eduardo Marinho, que, na noite de 5 de abril, foram filmados agredindo Carlos Alberto Bettoni, que foi internado com traumatismo craniano

Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Julia Affonso

11 Maio 2018 | 17h34

EFE/Sebastião Moreira/

A Juíza Débora Faitarone, da 1ª Vara do Juri de São Paulo, decretou a prisão preventiva do ex-vereador Manoel Eduardo Marinho, o ‘Maninho do PT’, e seu filho, Leandro Eduardo Marinho, acusados de tentativa de homicídio duplamente qualificado – ‘por motivo torpe e por dificultar a defesa da vítima’ – contra o empresário Carlos Alberto Bettoni, no dia 5 de abril, em frente à sede do Instituto Lula, em São Paulo.

A juíza justifica a prisão ‘para garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal’.

+ Promotoria pede júri popular para investigados por agressão a empresário em frente o Instituto Lula

Na decisão a magistrada também recebeu a denúncia contra Manoel e Leandro. Ela destaca que ‘a vítima permaneceu dias na UTI’.

+ Polícia indicia terceiro por agressão a empresário em frente ao Instituto Lula

“O estado de saúde dela ainda é gravíssimo, não obstante já tenha deixado o hospital. O laudo pericial juntado aos autos acusa traumatismo craniano (ferimento corto contuso na região da cabeça com afundamento parietal posterior a esquerda. Hemorragia em lobo frontal e temporal direitos e traumatismo com fraturas na porção óssea do septo nasal)”, anotou.

Segundo a magistrada, Maninho e seu filho ‘contaram com a impunidade, que não veio e não virá’. “Eles não podem permanecer em liberdade após a prática de um crime doloso contra a vida, praticado de maneira tão covarde”.

“As imagens demonstraram que a vítima, por diversas vezes, pediu para que os réus mantivessem a calma. Ela ergueu o braço, com a palma da mão aberta e implorou para que eles cessassem as agressões. Ela tentou fugir dos réus, mas infelizmente não conseguiu”, afirmou.

No despacho, a juíza ainda avalia que a ‘liberdade dos acusados geraria, na sociedade, uma enorme sensação de impunidade e a impunidade é um convite ao crime’.

“O Brasil é o país com o maior número de homicídios do mundo e isso exige responsabilidade social por parte do Poder Judiciário”, escreveu.

A juíza afirma que, após empurrar o empresário contra o caminhão, ‘mesmo com a vítima caída, com uma poça de sangue que escorria pela sua cabeça em via pública (ela parecia estar convulsionando), os réus afastaram-se do local, demonstrando frieza e total desprezo pela vida humana’.

“A vítima foi socorrida por populares, que gritaram por uma ambulância. Os gritos dos populares são de desespero. As imagens demonstraram, de maneira clara, toda a cena”, narra.

Denúncia. Nesta quinta-feira, 10, o promotor Luiz Eduardo Levit Zilberman denunciou o ex-vereador e seu filho por tentativa de homicídio duplamente qualificado. Segundo o promotor, o crime foi cometido por motivo torpe ‘decorrente de intolerância diante da suposição de que a vítima estivesse no local a protestar contra o ex-presidente da República e seus apoiadores políticos’ e com emprego de meio cruel.

Zilberman pediu o arquivamento do caso em relação ao sindicalista Paulo Cayres, conhecido como ‘Paulão’, que chegou a ser indiciado.

 

COM A PALAVRA, MANINHO

A reportagem está tentando contato com a defesa de Manoel Eduardo Marinho e Leandro Eduardo Marinho. A reportagem também entrou em contato por meio do celular de Maninho. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS DO EMPRESÁRIO BETTONI

Na opinião dos advogados Daniel Bialski e João Batista Jr, que representam o empresário Carlos Alberto Bettoni, ‘a prisão cautelar decretada, além de muito bem fundamentada, atende os anseios da sociedade e traz segurança para que testemunhas e vítima possam ter tranquilidade para depor em juízo e aguardar o julgamento pelo Tribunal do Júri’.

Mais conteúdo sobre:

Instituto Lula