Juíza brasileira em Haia diz que combate à corrupção afasta Brasil da ‘república de bananas’

Juíza brasileira em Haia diz que combate à corrupção afasta Brasil da ‘república de bananas’

Sylvia Steiner que, por treze anos, atuou nos julgamentos do Tribunal Penal Internacional na Holanda, diz que Lava Jato e outras operações de combate à corrupção 'são um marco'

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

03 de outubro de 2016 | 17h06

 

Tribunal Internacional de Haia. Foto: Divulgação

Tribunal Internacional de Haia. Foto: Divulgação

Representante brasileira no Tribunal Penal Internacional de Haia, na Holanda, nos últimos treze anos, a juíza Sylvia Steiner disse nesta segunda-feira, 3, que a Lava Jato e outras operações de combate à corrupção ajudam a “afastar o Brasil da imagem de ‘república das bananas’.”

Durante a abertura do V Forum Nacional dos Juízes Federais Criminais – promovido pela Associação dos Juízes Federais -, em São Paulo, Steiner afirmou que, no exterior, a ofensiva no Brasil contra os malfeitos é vista como ‘um marco’.

Steiner acaba de deixar o Tribunal Penal Internacional de Haia onde foi uma privilegiada observadora do Judiciário internacional.

“A imagem do país melhora pelo fato de ter decidido finalmente combater a corrupção, afastando-se do rótulo ‘república das bananas’”, afirmou a juíza, que enaltece a atuação dos juízes federais.

Ex-procuradora regional da República de São Paulo e Mato Grosso do Sul, de 1982 a 1995, e ex-desembargadora no Tribunal Regional Federal (TRT) da 3.ª. Região até 2003 – quando foi indicada ao Tribunal Penal Internacional -, Sylvia Steiner tem planos de se dedicar ao magistério agora que se aposentou.

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A juíza Sylvia Steiner. Foto: Divulgação

Ao falar sobre os juízes federais e as operações de combate à corrupção no Brasil, Steiner destacou. “O combate à corrupção no Brasil é visto como um marco, não só na Holanda, no meu tribunal, mas na Europa como um todo. O Brasil e outros países latino-americanos têm a fama de sobreviverem à custa de corrupção. Então, toda notícia que chega relativa ao combate à corrupção passa a ideia de que o Brasil está progredindo, está mudando seu perfil.”

Ela avalia que a imprensa na Europa ‘não é tão bem informada’ sobre o que ocorre no Brasil.

“Muitas vezes fui abordada pelos corredores da Corte para explicar o que estava ocorrendo, seja em relação ao movimento do impeachment (de Dilma Rousseff) ou a respeito da prisão de empresários (alvos da Lava Jato). Às vezes, a imprensa noticia sem muito conhecimento do que está por trás das ordens de prisões. Mas, de qualquer forma,  acho que a imagem do Brasil melhora, como país que finalmente decidiu combater a corrupção.

Sylvia Steiner avalia que o combate aos malfeitos precisa ter sequência no Brasil. “Eu tinha um professor que costumava dizer que precisamos passar a História a limpo, e nós estamos tentando passar e mudar esse perfil de que o Brasil é uma república das bananas e cada um faz o que quer, independentemente de qualquer aspecto político-partidário. Eu acho que já está suficientemente demonstrado que a corrupção tem sido a principal causa da pobreza da população num país extremamente rico.”

Ela detalhou como é a jornada de uma juíza federal brasileira na Corte Internacional. “Muito mais que o trabalho de uma juíza brasileira, eu entendo, sem falsa modéstia, que fiz um bom trabalho, que representei bem o país nesses treze anos. Mais importante de tudo é o Brasil ter sempre um representante nesse tribunal. Não podemos ficar de fora. Agora, com minha saída julgo fundamental que as autoridades, por meio da Presidência da República e do Ministério das Relações Exteriores, comecem a trabalhar a candidatura para minha substituição. O Brasil não pode ficar sem um juiz no Tribunal Penal Internacional.”

 

 

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