Juíza autoriza Lula no velório do neto de 7 anos

Juíza autoriza Lula no velório do neto de 7 anos

Carolina Lebbos, da 12.ª Vara Federal, liberou ex-presidente preso em Curitiba para ir a São Paulo; Arthur Araújo Lula da Silva morreu nesta sexta-feira, 1.º, vítima de meningite

Julia Affonso, Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Ricardo Galhardo

01 de março de 2019 | 17h31

Lula e o neto Arthur. Foto: EFE/Ricardo Stuckert/Instituto Lula

A juíza Carolina Lebbos, da 12.ª Vara Federal, autorizou nesta sexta-feira, 1.º, que o ex-presidente Lula compareça ao velório do neto. Arthur Araújo Lula da Silva, de 7 anos, filho de Sandro Luís Lula da Silva, um dos três filhos do ex-presidente com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morreu nesta sexta, vítima de meningite meningocócica. Após o pedido da defesa, o processo em que corre a Execução Penal de Lula entrou em sigilo.

Carolina autorizou a participação de Lula no velório, mas ordenou o sigilo sobre os detalhes do deslocamento “a fim de preservar a intimidade da família e garantir não apenas a integridade do preso, mas a segurança pública”.

A força-tarefa da Lava Jato havia se manifestado de forma favorável à ida do ex-presidente ao velório. Logo após a morte do neto, o ex-presidente solicitou autorização à juíza para ir à cerimônia, que deverá ocorrer neste sábado, 2, em Santo André. A magistrada pediu, então, um posicionamento da Operação Lava Jato.

Helicóptero da Polícia Civil aguardando a saída de Lula, no alto do prédio da Superintendência da Polícia Federal em Curitiba FOTO: André Rodrigues/Gazeta do Povo

O governo do Paraná informou que o ex-presidente irá para ao velório do neto em avião oficial. O governador Ratinho Jr. (PSD) disse, em nota, que atendeu a um pedido da Polícia Federal.

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguirá para São Paulo em avião do governo do Paraná. A aeronave foi liberada pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, atendendo a pedido da superintendência da Polícia Federal no Paraná”, informou o governo.

“O apoio para o deslocamento permitirá que o ex-presidente participe do velório do neto Arthur Araújo Lula da Silva, que morreu nesta sexta-feira em Santo André, vítima de meningite.”

O ex-presidente está preso desde 7 de abril do ano passado na Polícia Federal, em Curitiba, alvo da Lava Jato. O petista foi condenado no caso triplex por corrupção e lavagem de dinheiro a uma pena de 12 anos e um mês de reclusão.

“O artigo 120, inciso I, da Lei de Execução Penal (Lei n.º 7.210/84) expressamente assegura o direito do cidadão em situação de encarceramento sair temporariamente do estabelecimento em que se encontra na hipótese de falecimento de descendente”, afirmou a defesa do ex-presidente no pedido à juíza Carolina Lebbos.

No pedido, os defensores afirmaram que poderão acertar com a PF ou com quem a juíza venha a determinar “providências específicas que eventualmente sejam necessárias para assegurar sua presença no velório e funeral de seu neto”.

“Compromete-se, desde logo, por exemplo, a não divulgar qualquer informação relativa ao trajeto que será realizado”, anotou a defesa.

Não há uma informação oficial a respeito da maneira como Lula foi informado da morte do neto. Existe a possibilidade de Sandro Luís ter tido autorização da PF para conversar por telefone com o ex-presidente. A outra é que tenha sido avisado por um assessor do Instituto Lula sediado em Curitiba. Segundo testemunhas, o ex-presidente chorou copiosamente na cela onde cumpre pena.

O menino de 7 anos era um dos netos mais próximos do ex-presidente. Era de Arthur um tablet apreendido pela PF durante a busca e apreensão nas casa de Lula em 2016. Além da preocupação com Sandro, seu filho, Lula lamentou por Marlene, mãe de Arthur. Depois da morte de Marisa Letícia, em 2017, Marlene ajudou a preencher o espaço criado pela ausência da ex-primeira-dama. Ela e Sandro dormiam com frequência  no apartamento de Lula e tentavam manter a proximidade do avô com os netos.

Descrita por petistas como uma “mulher de grande iniciativa” cujo temperamento forte contrastava com a introspecção de Sandro, Marlene dava ordens na casa e no entorno do presidente. No dia que antecedeu a prisão de Lula, por exemplo, era ela quem tirava o ex-presidente das rodas políticas e o levava para perto da família. Ela aparece conversando com Marisa Letícia sobre assuntos domésticos em um grampo divulgado pela Lava Jato.