Juíza aceita denúncia da Procuradoria e põe no banco dos réus acusado por incitação ao nazismo

Juíza aceita denúncia da Procuradoria e põe no banco dos réus acusado por incitação ao nazismo

Welker de Oliveira Guerreiro é apontado pelo Ministério Público Federal como autor de publicações criminosas na internet

Redação

29 de junho de 2021 | 15h45

A Justiça Federal de São Paulo aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) e tornou Welker de Oliveira Guerreiro, 29, réu por incitação ao nazismo na internet. A pena para o crime varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa.

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A decisão é da juíza Andréia Moruzzi, substituta na 1.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que viu indícios de autoria e materialidade capazes de justificar a abertura do processo.

De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em 2015, por meio de uma página criada na rede social russa vk.com. “As postagens foram feitas de um equipamento situado em Itapecerica da Serra (SP). Nelas, há imagens que remetem a ideologias nacionalistas e uma foto na qual nove pessoas aparecem com os rostos cobertos por emojis em referência a Adolf Hitler”, afirma o MPF.

Regime nazista comandado por Adolf Hitler na Alemanha no século 20. Foto: Acervo Estadão

As autoridades identificaram Guerreiro a partir de ações de cooperação policial entre o Brasil e a Rússia. Após serem notificados sobre a existência da página, o MPF e a Polícia Federal obtiveram os dados de IP do usuário e a confirmação do número de telefone celular que ele utilizou para se cadastrar na rede social.

O Ministério Público afirma que, em depoimento à polícia, Guerreiro confessou a autoria das publicações. Ele vai responder pelo crime previsto no artigo 20, § 2º, da Lei nº 7.716/89, que prevê a condenação de quem ‘praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, por intermédio de meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza’.

Guerreiro já presta serviços comunitários impostos como pena em outras ações judiciais. Em um dos processos, foi acusado de integrar um grupo neonazista que agrediu moradores de rua em São Paulo, em 2011.

COM A PALAVRA, WELKER GUERREIRO

A reportagem busca contato com Welker Guerreiro. O espaço está aberto para manifestação (fausto.macedo@estadao.com, rayssa.motta@estadao.com e pepita.ortega@estadao.com).

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