Juiz vê ‘influência’ de Queiroz sobre milícias do Rio

Juiz vê ‘influência’ de Queiroz sobre milícias do Rio

Na decisão que decretou a prisão do ex-assessor parlamentar, juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital, destacou o suposto envolvimento de Queiroz com milicianos do Estado, incluindo chefe do 'Escritório do Crime'

Fausto Macedo, Rayssa Motta e Pepita Ortega/SÃO PAULO e Caio Satori/RIO

18 de junho de 2020 | 21h08

Na decisão que decretou a prisão de Fabrício Queiroz, o juiz Flávio Nicolau, da 27ª Vara Criminal da Capital, destacou o suposto envolvimento do ex-assessor parlamentar do senador  Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) com milicianos do Rio de Janeiro, incluindo o capitão Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro e apontado como líder do chamado ‘Escritório do Crime’.

Documento

Dois aspectos da relação de Queiroz com os grupos paramilitares foram apontados. O primeiro é econômico, em razão de um suposto enriquecimento associado à milícia carioca. O segundo é político e foi levantado a partir de suposta ‘influência’ exercida pelo ex-assessor entre os grupos de milicianos.

Enriquecimento. O juiz Flávio Nicolau cita informações obtidas pelo Ministério Público do Rio, responsável pelas investigações, que apontam que Adriano da Nóbrega teria repassado mais de R$400 mil para as contas de Queiroz.

No caso da rachadinha, Adriano está ligado a Flávio por meio da mãe, Raimunda Veras Magalhães, e da ex-mulher, Danielle da Nóbrega. As duas também eram funcionárias do gabinete do então deputado na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) embora, segundo dados de geolocalização obtidos pelos investigadores a partir do rastreio do celular Raimunda, ela jamais tenha aparecido nas cercanias da Alerj no período em que deveria exercer a função pública.

Segundo o Ministério Público, um segundo indício corrobora a tese de que Raimunda era uma ‘funcionária fantasma’: sua suposta participação como sócia e administradora em duas pizzarias na zona oeste do Rio desde 2009. Há registros de que os empreendimentos da mãe do miliciano Adriano da Nóbrega tenham repassado R$69 mil para Queiroz. Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017, outros R$91 mil foram depositados, em espécie, na conta do ex-assessor a partir de uma agência bancária localizada na rua dos restaurantes administrados por Raimunda.

Influência. Na decisão, o juiz aponta outros indícios de uma suposta ‘influência’ de Queiroz sobre as milícias do Estado. Em mensagens trocadas com a mulher, Márcia Aguiar, o ex-assessor parlamentar se compromete a ‘interceder pessoalmente’ junto a milicianos em favor de um homem que pede sua ajuda após receber ameaças de paramilitares no Itanhangá, também na zona oeste carioca.

Em outro trecho do documento é incluída a transcrição de um áudio no qual Queiroz afirma que poderia intermediar o contato com a ‘cúpula de cima’.

O juiz também autorizou a apreensão de documentos com a ex-mulher de Fabrício Queiroz que apontariam pessoas que poderiam ‘auxiliá-lo’ caso ele fosse preso no Batalhão Especial Prisional da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

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