Juiz revoga indiciamento de ‘dissidente’ da PF na Lava Jato

Juiz revoga indiciamento de ‘dissidente’ da PF na Lava Jato

Marcos Josegrei, da 14.ª Vara Federal no Paraná, suspendeu indiciamento de Rodrigo Gnazzo que teria atuado contra a operação

Mateus Coutinho, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

16 de fevereiro de 2017 | 05h30

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Sede da PF em Curitiba. Foto: Mateus Coutinho/Estadão

O juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14.ª Vara Federal no Paraná, suspendeu o indiciamento de Rodrigo Gnazzo, acusado de ser um dos ‘dissidentes’ da Polícia Federal por supostamente ter atuado para vazar um dossiê buscando prejudicar a Operação Lava Jato, em Curitiba.

Na decisão, o magistrado acolheu o argumento da defesa de Gnazzo, que deixou a PF e alegou não estar conseguindo emprego na área de segurança de informação pelo fato de constar como indiciado desde o dia 14 de abril de 2016. Como o inquérito está parado desde meados de setembro do ano passado, o juiz acatou o pedido da defesa do ex-policial.

“Os prejuízos que o ora requerente (Gnazzo) afirma estar experimentando à vista do tempo decorrido e do status de indiciado em que ainda se encontra impõem a excepcional intervenção do juízo”, assinalou o juiz Marcos Josegrei da Silva.

Ao se manifestar sobre o assunto, o Ministério Público Federal afirmou que vai realizar novas diligências para avaliar o caso no prazo de 60 dias.

“Diante desse cenário, o acolhimento do pleito formulado é impositivo. A um só tempo não impede a continuidade das investigações, no ritmo que for possível e adequado ao MPF, e também não prejudica as atividades profissionais do ora requerente, retirando-se sobre sua cabeça a Espada de Dâmocles representada pelo ato formal de indiciamento”, seguiu o magistrado.

‘Dissidentes’. Em abril do ano passado, a PF indiciou um grupo de quatro policiais da corporação suspeitos de elaborarem um dossiê e participarem da trama para a divulgação do material formado por mensagens que delegados da Polícia Federal que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato escreveram no Facebook, em 2014, criticando o PT e enaltecendo o PSDB e o então candidato tucano à Presidência, Aécio Neves.

Para os investigadores, na época, um integrante da própria instituição é quem teria produzido o dossiê para se ‘vingar’ dos colegas da Lava Jato.

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