Juiz quer saber se ‘Vermelho’ foi pago por ataque hacker

Juiz quer saber se ‘Vermelho’ foi pago por ataque hacker

Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, afirma que há 'incongruências' no depoimento de Walter Delgatti Neto, apontado como suposto líder de grupo que hackeou autoridades

Breno Pires e Patrick Camporez/BRASÍLIA e Luiz Vassallo e Fausto Macedo/SÃO PAULO

02 de agosto de 2019 | 06h14

Reprodução

O juiz federal da 10ª Vara de Brasília, Ricardo Leite, afirmou haver ‘incongruências’ no depoimento de Walter Delgatti Neto, suspeito de liderar a organização alvo da Operação Spoofing, que teria hackeado mil pessoas, entre elas, autoridades dos três Poderes. Essa foi uma das razões para converter a prisão temporária – por cinco dias prorrogáveis – dos investigados em preventiva – por tempo indeterminado.

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Em depoimento, Delgatti chegou a dizer que agiu sozinho, e não foi remunerado pelo crime. No entanto, o magistrado também afirma querer saber se ele foi pago.

O juiz anota a necessidade de apurar a ‘motivação de Walter Delgatti Neto ao repassar informações sigilosas ao sítio eletrônico Intercept, e se recebeu alguma quantia em pagamento’.

“O investigado afirma ter agido sozinho e não ter recebido nenhuma vantagem em troca das mensagens capturadas das contas do Telegram de suas vítimas. Ocorre que, dos novos elementos probatórios trazidos pela autoridade policial, da análise dos computadores e discos rígidos arrecadados na residência de Walter Delgatti Neto, laudo pericial atestou a realização de de 5.812 ligações suspeitas no sistema da BRVOZ que tiveram como alvo 1162 números distintos, o que revela a possível atuação de outras pessoas juntamente com Walter”, afirma o juiz.

Nesta quinta-feira, 1, o prazo da cautelar se esgotaria. A PF e o Ministério Público Federal, no entanto, pediram para que ela fosse convertida em preventiva – ou seja, por tempo indeterminado. Após voltar de férias, Leite decidiu manter os suspeitos de hackear autoridades na cadeia.

Para manter presos os demais nomes, além de ‘Vermelho’, o juiz fundamentou principalmente nas suspeitas de que cometeram crimes como fraudes bancárias. “Foram encontradas mensagens nos aparelhos celulares apreendidos na residência de Suelen Priscila de Oliveira e Gustavo Henrique Elias Santos, evidenciando que Suelen tinha conhecimento e praticava fraudes bancarias”.

O juiz Ricardo Leite frisou que não se comprovou a origem lícita da quantia de R$ 99 mil em espécie apreendida com o casal. “Há diversas lacunas que não foram esclarecidas com a origem do montante de R$ 99 mil encontrados na residência de Gustavo e de Suelen”.

O magistrado ainda quer saber  em ‘que constituiu a participação de Danilo já que surgiram fortes indícios de que tinha total conhecimento da prática delitiva, desconstituindo as suas declarações perante a polícia de que agiu em razão de amizade que tinha com Walter’. “Além disso, o próprio Walter Delgatti declarou sua habilidade em informática, sendo que solto poderá destruir provas”.

Entre as vítimas de ataques no período investigado pela Operação Spoofing, estão o presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Justiça Sérgio Moro, o presidentes da CâmaraRodrigo Maia, e do SenadoDavi Alcolumbre, o presidente do Superior Tribunal de JustiçaJoão Otávio de Noronha, o ministro do SupremoAlexandre de Moraes, além de procuradores, magistrados, políticos, jornalistas, que integram a lista de aproximadamente mil vítimas.

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