Juiz quebra sigilo de Marquito e mais 45 em investigação sobre rachadinha na Câmara de São Paulo

Juiz quebra sigilo de Marquito e mais 45 em investigação sobre rachadinha na Câmara de São Paulo

Ex-vereador que se notabilizou por ser assistente de palco do programa do Ratinho e assessores são alvo da medida cautelar em investigação aberta em 2016, após servidores denunciarem ao Ministério Público esquema de desvio de salários no gabinete

Luiz Vassallo

22 de janeiro de 2020 | 16h37

Correções: 22/01/2020 | 20h18

Marquito na Câmara. Foto: ALEX SILVA/ESTADAO

O juiz do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) Fabio Pando de Matos decretou a quebra de sigilo bancário do ex-vereador e animador de TV Marco Antonio Ricciardelli, o Marquito (PTB), e mais 45 pessoas no âmbito de investigação sobre rachadinha em seu gabinete à época em que ocupou cadeira na Câmara Municipal de São Paulo.

O parlamentar se notabilizou por ser o assistente de palco do ‘Programa do Ratinho’. A decisão, tomada em novembro, acolhe pedido do Ministério Público do Eestado que investiga o caso desde 2016.

A quebra de sigilo contempla o período de 12 de janeiro de 2013 a 31 de março de 2016, e alcança funcionários do gabinete de Marquito, que era suplente, e também servidores do titular do cargo, Celso Jatene (PTB).

À época, Jatene se afastou para assumir a Secretaria municipal de Esportes na gestão Fernando Haddad (PT). Ele não é alvo da investigação da Procuradoria.

Câmara Municipal de São Paulo – Palácio Anchieta. FOTO: NILTON FUKUDA/ESTADÃO

O caso foi revelado pelo Estado em 2016. Além de quatro funcionários, um prestador de serviço de gabinete admitiu ter devolvido salários ao então parlamentar.

Um servidor afirmou que, de R$ 14 mil de vencimentos, ficava com apenas R$ 2,3 mil – neste caso, até a restituição de Imposto de Renda, contando o valor cheio do salário, teria sido desviada.

Já um terceirizado da área de TI afirmava emitir duas notas fiscais por mês, uma para seus serviços, e outra para que o então vereador as embolsasse.

Após as denúncias, um motorista chegou também a prestar depoimento e admitir que devolvia parte dos seus vencimentos.

Os valores teriam sido devolvidos a um chefe de gabinete informal do vereador, Edson Roberto Pressi. Ele não era nomeado, mas matinha uma sala dentro da Câmara.

Questionado pelo Estado à época, disse que não podia ser servidor por integrar uma ‘congregação cristã’. O sigilo de Pressi e sua mulher foi quebrado.

Também foram denunciados ao Ministério Público gastos do gabinete com um escritório de advocacia que, na verdade, seria comandado por Pressi. Em três anos, R$ 122 mil foram repassados.

A medida atinge inclusive prestadores de serviços que recebiam verba de gabinete.

Para o juiz, ‘segundo os elementos já constantes da investigação, há fortes indicativos da ocorrência do crime de peculato, em que figuram como investigados Marco Antônio Ricciardelli e Edson Roberto Pressi’.

“Com efeito, há demonstração suficiente da materialidade delitiva e a medida afigura-se como imprescindível para as investigações – única providência capaz de contribuir eficazmente para o deslinde do fato –, pelo que o deferimento do pedido é medida que se impõe”, anotou.

O pedido foi protocolado pelo Ministério Público Estadual de São Paulo, que investiga o caso desde 2016.

COM A PALAVRA, MARQUITO

A reportagem busca contato. O espaço está aberto para manifestação (luiz.vassallo@estadao.com)

Correções
22/01/2020 | 20h18

Ao contrário do que foi afirmado anteriormente, a mulher do ex-vereador não é alvo da quebra de sigilo.