Juiz pede ao governo de Minas que avalie transferência de Azeredo

Juiz pede ao governo de Minas que avalie transferência de Azeredo

Marcelo Augusto Lucas Pereira, da Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte, mandou oficiar a Secretaria de Administração Prisional para que delibere sobre pedido dos Bombeiros para que ex-governador tucano condenado a 20 anos e um mês não fique mais preso em Batalhão

Luiz Vassallo

08 Julho 2018 | 05h26

Eduardo Azeredo. FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O juiz Marcelo Augusto Lucas Pereira, da Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte, mandou oficiar a Secretaria de Administração Prisional de Minas Gerais para que delibere sobre a possível transferência do ex-governador Eduardo Azeredo (PSDB), condenado a 20 anos e um mês no Mensalão tucano.

Desde 23 de maio, o tucano ocupa Sala Especial em batalhão do Corpo de Bombeiros, autorizado a não usar roupas de presidiário e sem a necessidade do uso de algemas.

O Comandante Geral do Batalhão, Cláudio Roberto de Souza, no entanto, pediu para que o tucano seja transferido para outra unidade.

Para o juiz, o requerimento é de ‘alçada da Secretaria de Administração Prisional, a que compete avaliar e deliberar sobre o fluxo de pessoas no sistema prisional mineiro, observadas as particularidades do custodiado, inclusive as prerrogativas decorrentes de lei’.

“Desta feita, determino que se oficie à SEAP, com remessa de cópia do ofício encaminhado pelo
Comandante Geral do Batalhão, para ciência”, anotou.

Esta não é a primeira vez que militares pedem que Azeredo deixe o Batalhão. O deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB) encaminhou ofício à Vara de Execuções Penais de Belo Horizonte relatando a ‘revolta’ de militares contra o convívio com o ex-governador.

Segundo o parlamentar, parte dos oficiais ‘repudia’ Azeredo.

O deputado afirma que ele e outros 186 oficiais da PM de Minas Gerais foram expulsos em 1997, quando Azeredo era governador, por integrarem movimento grevista. Diante da ‘revolta’, a Justiça mandou a Promotoria investigar o caso.

O Mensalão tucano, conforme denúncia do Ministério Público em 2007, consistiu em desvio de recursos de estatais mineiras, como a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e o, hoje extinto, Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), para a campanha de Azeredo pela reeleição em 1998, quando foi derrotado pelo ex-presidente Itamar Franco, à época no PMDB. Os desvios em benefício do tucano chegaram a R$ 3 milhões, segundo a acusação.