Juiz pede a TSE informações sobre empresas que doaram para PT

Pem Engenharia, SOG e Projetec repassaram dinheiro para o Partido dos Trabalhadores; segundo delator, valores seriam propinas do esquema Lava Jato disfarçadas em doações eleitorais

Redação

23 de março de 2015 | 18h47

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo

O juiz federal Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Operação Lava Jato, mandou expedir ofício ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando informações sobre doações registradas efetuadas por seis empresas, entre elas a PEM Engenharia, a Setal Óleo e Gás (SOG) e a Projetec, que fizeram repasses para o PT.

Esses repasses, segundo o executivo Augusto Mendonça, um dos delatores da Lava Jato, eram disfarçados em forma de doações eleitorais. No caso da PEM Engenharia já constam dos autos da Lava Jato quatro recibos emitidos pelo PT de doações para o Diretório Nacional do partido de R$ 500 mil, em 2010.

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

Juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato. Foto: JF. Diório/Estadão

O valor repassado em 7 de abril, quando era dada a largada para a campanha da presidente Dilma Rousseff, foi o mais alto doado dentro de uma lista de 24 repasses partidários e de campanha listados pelo delator. São quatro recibos, com números sequenciais, datados de 7 de abril de 2010. Três com valores de R$ 150 mil e um de R$ 50 mil.

O juiz Moro pediu ao TSE que mande informações sobre as doações, “se possível em 15 dias”. Além da Setal Óleo e Gás (SOG), da Projetec e da PEM Engenharia, o juiz federal quer dados sobre doações da Energex Group Representação e Consultoria, Tipuana Participações e Setec Tecnologia.

Nesta segunda feira, 23, o juiz Moro abriu ação penal contra 27 alvos da Operação My Way – nona fase da Lava Jato -, entre eles o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, elo do PT na Petrobrás, e o tesoureiro do partido João Vaccari Neto, denunciados por corrupção e lavagem de dinheiro.

Na decisão em que abre ação penal contra Duque e Vaccari o juiz destacou. “Quantia substancial da propina, R$ 4.260.000, foi repassada, entre 23 de outubro de 2008 a 8 de março de 2012, como doações eleitorais registradas ao Partido dos Trabalhadores – PT.”

As doações, assinalou o juiz da Lava Jato, foram feitas pelas empresas ligadas a Augusto Mendonça – PEM, Projetec e SOG.

COM A PALAVRA, O PT.

“São Paulo, 23 de Março de 2015 – A respeito dos fatos veiculados hoje, a Secretaria de Finanças do Partido dos Trabalhadores gostaria de esclarecer o seguinte:

O secretário João Vaccari Neto não participou de nenhum esquema para recebimento de propina ou de recursos de origem ilegal destinados ao PT. Ressaltamos que o secretário Vaccari não ocupava o cargo de tesoureiro do PT no período citado pelos procuradores na ação aceita pela Justiça, uma vez que ele assumiu essa posição apenas em fevereiro de 2010.

O secretário Vaccari repudia as referências feitas por delatores a seu respeito, pois as mesmas não correspondem à verdade. Ele não recebeu ou solicitou qualquer contribuição de origem ilícita destinada ao PT, pois as doações realizadas por empresas legalmente estabelecidas foram efetuadas por meio de depósitos bancários, com toda a transparência e com a devida prestação de contas às autoridades competentes, observando sempre os parâmetros da legislação eleitoral.

O secretário Vaccari permanece à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, como sempre esteve desde o início dessa investigação. E reitera que apresentará sua defesa demonstrando que as acusações que pesam contra ele não são verdadeiras.

Assessoria de Imprensa do PT Nacional”

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