Juiz mantém na cadeia ‘Homemdebem’ por racismo nas redes

Marcelo Valle Silveira Mello foi preso na Operação Bravata, no dia 10, sob suspeita de apologia ao estupro e ao homicídio e terrorismo

Luiz Vassallo e Ricardo Brandt

25 Maio 2018 | 05h03

Marcelo Valle Silveira Mello, que tem contra si suspeitas de racismo, apologia ao estupro e ao homicídio, terrorismo, entre outros crimes, principalmente virtuais, vai continuar na cadeia. Ao manter a prisão para o estudante colaborador de sites como ‘Homemdebem’ e ‘Homem Sanctus’, por meio dos quais disseminava mensagens de ódio e incitação a crimes na internet, o juiz federal 14.ª Vara do Paraná, Marcos Josegrei, destacou as diversas investigações que recaem sobre ele e sua resistência em colaborar com a Justiça.

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Marcelo Mello foi preso no âmbito da Operação Bravata, da Polícia Federal, deflagrada no dia 10. A ação pôs 60 agentes em seis estados contra crimes de racismo, ameaça, incitação ao crime e terrorismo, supostamente praticados via internet.

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Josegrei recusou apelo da defesa de Marcelo contra a prisão preventiva na Bravata.

Para o magistrado, há robustos elementos que apontam para a participação de Mello em ‘um grupo denominado ‘Homens Sanctos’ que habitualmente divulgam/publicam/postam em diversos canais da internet/ambientes virtuais (em especial no site www.silviokoerich.org) material de conteúdo racista (com incitação à violência contra negros, homossexuais e mulheres) e contendo apologia aos crimes de estupro, homicídio e abuso sexual contra crianças e adolescentes’.

Marcelo Mello ainda é apontado por integrar a produção de conteúdo das páginas ‘homemdebem.org’, ‘tioastolfo.com’ e no fórum denominado ‘dogochalan.org – todos estão fora do ar.

Para o magistrado, o investigado ‘não tem a menor intenção de colaborar com as investigações, uma vez que deixou de fornecer as senhas corretas para acesso ao conteúdo do material apreendido durante as buscas que estão criptografados, zombando, inclusive, da equipe da Polícia Federal’.

“Afirmou, ainda ‘que poderia pegar vários anos de prisão, mas que em hipótese nenhuma entregaria seus amigos’, dando a entender que o conteúdo das máquinas apontaria para crimes perpetrados também por outros indivíduos”, anotou.