Juiz manda PF ouvir Eike outra vez

Juiz manda PF ouvir Eike outra vez

Além do empresário, principal alvo da operação Eficiência, outros seis investigados serão interrogados nesta quinta-feira, 8

Mariana Sallowicz, do RIo

07 de fevereiro de 2017 | 15h39

LINS6906.JPG RIO DE JANEIRO RJ 30/01/2017 EXCLUSIVO EMBARGADO - POLITICA - PRISÃO EIKE BATISTA / OPERAÇÃO EFICIÊNCIA / LAVA JATO / CALICUTE - Empresario Eike Batista, de cabelo raspado (Careca) deixa o presidio Ary Franco apos ser trazido pela Policia Federal e segue para o Cadeia Publica Bandeira Stampa (Bangu 9) . Eike foi preso apos desembarcar no aeroporto internacional Tom Jobim (Galeão) , vindo de Nova York. Eike é acusado de pagar propina e teve a sua prisão decretada na Operação Eficiência, desdobramento da Calicute, fase da Lava Jato, no Rio de Janeiro. FOTO FABIO MOTTA / ESTADÃO

O empresário Eike Batista, após ser preso pela PF. FOTO FABIO MOTTA / ESTADÃO

O juiz Marcelo Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava no Rio, autorizou que a Polícia Federal (PF) realize nesta quinta-feira, 8, novas oitivas do empresário Eike Batista e de outros seis presos nas Operações Calicute e Eficiência, suspeitos de participação no suposto esquema de corrução que seria liderado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB). O peemedebista também está detido, mas não convocado.

O delegado Antonio Carlos Beaubrun Junior entregou ontem o pedido à 7ª Vara Federal Criminal do Rio. Na solicitação, afirma que as novas oitivas devem ser feitas por causa da necessidade de “esclarecer conflitos com outras oitivas e fatos da Operação Eficiência”.

Bretas concedeu ainda ontem a autorização para os depoimentos de Eike, Flavio Godinho (advogado e ex-executivo do grupo X), Hudson Braga (ex-secretário de Obras de Cabral), Alvaro Jose Galliez Novis (doleiro), Ary Ferreira da Costa Filho (operador financeiro do esquema), Francisco de Assis Neto (ex-subsecretário na área de Comunicação da Cabral) e Carlos Miranda (ex-assessor de Cabral).

Os depoimentos serão feitos na superintendência da PF, na zona portuária do Rio. Os presos serão deslocados do Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na zona oeste do Rio.

No último dia 31, Eike foi levado para prestar depoimento na PF, mas não respondeu as perguntas dos procuradores e delegados da Força Tarefa da Lava Jato, segundo o seu advogado, Fernando Martins. O empresário teria seguido orientação da defesa de se reservar ao direito de falar somente em juízo. O criminalista disse, na ocasião, que “a princípio não há possibilidade de delação” por parte de Eike.

A Operação Eficiência investiga um esquema que teria lavado ao menos US$ 100 milhões em propinas para o grupo político do ex-governador. O dinheiro foi remetido ao exterior. Eike é acusado de pagar propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador do Rio.

Já a Operação Calicute, deflagrada meses antes e que deu origem à Eficiência, apura crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa nas obras para a urbanização em Manguinhos (PAC Favelas), construção do Arco Metropolitano e reforma do estádio do Maracanã para a Copa de 2014. Os delitos teriam sido cometidos pelos integrantes da organização criminosa liderada por Cabral.

Notícias relacionadas

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.