Juiz manda ouvir doleiro da Lava Jato outra vez

Juiz manda ouvir doleiro da Lava Jato outra vez

Sérgio Moro atendeu pedido da defesa de Alberto Youssef

Redação

06 de março de 2015 | 10h18

Por Mateus Coutinho

O juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da Lava Jato na Justiça Federal no Paraná, determinou uma nova audiência para ouvir o doleiro Alberto Youssef no final de março. A decisão atende ao pedido da própria defesa de Youssef, um dos principais delatores da Lava Jato, que afirmou ter interesse em falar perante o juiz novamente “para que esse órgão julgador possa sentenciar os eventos (supostamente) delitivos da maneira mais justa e correta”, afirmou o advogado de Youssef no pedido.

Ao acatar o pedido, o juiz lembrou que o doleiro é o único preso nesta ação penal, na qual Youssef é acusado de liderar uma quadrilha que evadiu cerca de US$ 500 milhões entre 2009 e 2013. Durante as audiências desta ação, ocorridas no ano passado, o doleiro ficou em silêncio, pois estava negociando o acordo de delação com o Ministério Público Federal, que ainda não tinha sido homologado.

“Tendo em vista que houve o fato novo, da celebração do acordo de colaboração premiada, o disposto no artigo 196 do CPP, e que o único acusado preso em virtude deste processo é o próprio acusado requerente, defiro o pedido formulado pela defesa”, afirma Moro em seu despacho. Como o processo já havia concluído a fase de alegações finais, quando são apresentados os últimos argumentos da defesa e da acusação antes da sentença do juiz, Moro decidiu dar direito aos outros réus também prestarem novos depoimentos, se tiverem interesse.

OPERAÇÃO LAVA JATO.

Alberto Youssef. Foto: Vagner Rosário/Futura Press

Após o interrogatório, o juiz ainda vai permitir que os réus e o Ministério Público Federal complementem as alegações finais que já foram apresentadas.Atualmente, Youssef está preso em caráter preventivo e poderá ficar no máximo cinco anos presos como parte das 23 cláusulas de seu acordo firmado com o Ministério Público Federal, que prevê ainda que ele devolva suas propriedades e participações que possui em empresas. Além disso, caso sua condenação nas ações penais nas quais já é réu ou nas que ainda possam surgir contra ele somem 30 anos de prisão, todos os processos e inquéritos policiais que ainda tramitarem contra ele serão suspensos por um período de dez anos.

Evasão. O pedido de nova audiência foi encaminhado na ação penal em que Youssef é acusado de liderar uma quadrilha que evadiu cerca de US$ 500 milhões entre 2009 e 2013 por meio de importações fictícias com base em contratos de câmbio firmado por empresas de fachada. Dentre as empresas utilizadas para evadir o dinheiro estão a Labogen e a Piroquímica, do também réu da Lava Jato Leonardo Meirelles, apontado como testa de ferro do doleiro.

De acordo com a denúncia, a quantia foi enviada para offshores no exterior controladas pelos réus e as transações envolveram empresas e/ou bancos na China, Coreia, Canadá, Formosa/Taiwan, Taiwan, Índia, Uruguai, Estados Unidos, Itália, Hong Kong, Ucrânia, Bélgica, Liechtenstein e Costa Rica. Além disso, a denúncia acusa o advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, apontado como laranja do Youssef, e o doleiro pela lavagem de dinheiro com a compra de um imóvel avaliado em R$ 3,7 milhões.

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